Brasil e Argentina acertam promoção conjunta na China

Segundo secretário do Ministério do Desenvolvimento, será criada uma agenda mais ofensiva para impedir que o Brasil perca participação no mercado argentino para a China e vice-versa

Edna Simão, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 17h40

Os governos brasileiro e argentino resolveram se unir para promover seus produtos na China e enfrentar a invasão de produtos chineses em seus mercados. Essa decisão foi tomada durante reunião bilateral Brasil-Argentina, que começou nesta quinta-feira, 25, em Brasília. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, será criada uma agenda mais ofensiva com relação à China para impedir que o Brasil perca ainda mais participação no mercado argentino para a China. A Argentina também está perdendo espaço no país para os chineses.

No setor de móveis, por exemplo, a participação argentina no mercado brasileiro caiu de 7% para 1%, sendo que os chineses ganharam mercado, saindo de 25% para 40%. O Brasil perdeu mercado argentino para os chineses nos segmentos de papel e tecidos e malhas. No caso do papel, a participação das empresas brasileiras na Argentina caiu de 34% para 30%. Já a dos chineses passou de 4% para 10%.

No segmento de tecidos e malhas, a situação é ainda mais preocupante. A participação brasileira despencou de 29% para 9%. Esse mercado foi abocanhado pelos chineses, cuja participação na Argentina passou de 56% para 78%.

Barral explicou que as duas economias também estão empenhadas em venderem mais seus produtos para os chineses. Para isso, farão missões e feiras de promoção conjuntas na China. "Queremos ser mais ofensivos no mercado chinês", afirmou Barral, destacando que os países podem vender mais produtos elaborados como alimentos e calçados. As missões serão organizadas pela empresas de promoção Apex e Proargentina.

Licenças

Os governos brasileiro e argentino aproveitaram a reunião bilateral desta quinta para tentar resolver algumas arestas para estimular o comércio entre os dois país. No caso das chamadas Licenças Não Automáticas (LNAs), o secretário Welber Barral disse que "não há problemas setoriais, mas sim pontuais" em algumas empresas. Os casos estão sendo analisados na reunião.

"Tratamos todos os casos e novos estão sendo apresentados. O compromisso é tentar resolver o mais rápido possível. A melhor solução seria eliminar as licenças", afirmou Barral, lembrando que, no mês passado, esse procedimento deixou de ser exigido para a entrada de pneus.

O secretário brasileiro destacou ainda que a relação entre Brasil e Argentina é muito positiva e que houve um crescimento de mais de 50% nas importações e exportações para o país vizinho. "Vamos tentar avançar mais para chegarmos aos níveis de 2008", destacou Barral.

Já o subsecretário de Política e Gestão Comercial do Ministério da Produção da Argentina, Eduardo Bianchi, concorda que houve uma recuperação do comércio entre os dois países, após o impacto da crise econômica mundial.

A reunião bilateral Brasil-Argentina teve início nesta quinta e termina na sexta. Estão sendo debatidos assuntos como licenciamento não-automático de importações, acordos setoriais, defesa comercial, além de temas como pagamentos em moeda local, compras governamentais, brinquedos, lista de exceções à TEC, cooperação de serviços e registros de empresas.

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