Brasil está preparado para agir contra retaliação da Argentina, diz Barral

Segundo secretário do Comércio, o que se tem sobre o assunto até o momento são apenas 'rumores' da imprensa

Célia Froufe, da Agência Estado,

26 de maio de 2010 | 11h06

O Brasil está preparado para agir em relação ao posicionamento da Argentina de barrar a entrada de alimentos brasileiros no País, segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral. "O Brasil tem um mecanismo eletrônico de controle de importações. É um botão", resumiu em entrevista coletiva após participar do I Seminário Internacional de Defesa Comercial. "Estamos acompanhando com cuidado."

Evitando falar que já tenha pronto algum tipo de retaliação contra o vizinho, Barral, no entanto, procurou mostrar firmeza. "Não somos complacentes com comércio exterior. Temos sempre a visão de reciprocidade", declarou. De acordo com ele, não se deve aprofundar o assunto porque o que se tem até o momento são apenas "rumores" da imprensa argentina de que o país colocaria obstáculos para a entrada de produtos brasileiros similares. De outro lado, ressaltou, há declaração da presidenta Cristina Kirchner de que todos os acordos serão cumpridos.

"Estamos acompanhando diariamente",afirmou. "Não é porque o sub do sub teve uma ideia mirabolante, e que sempre existe, que vamos tomar medidas sem avaliação", acrescentou, referindo-se ao secretário de comércio interior da Argentina, Guilhermo Moreno. O secretário deu a entender que a Argentina tem mais a perder com barreiras contra o Brasil do que vice-versa, já que o volume de exportações de alimentos daqui para lá é de R$ 500 milhões, enquanto a importação dos mesmos produtos na mão contrária soma US$ 2 bilhões.

Barral relatou também que ontem chegaram ao MDIC reclamações de oito caminhões que tiveram sua entrada barrada no país vizinho, o que, segundo com ele, é um volume "bastante normal". "Estamos verificando se é exigência desmedida ou se a empresa esqueceu de preencher formulário", disse.

Vínculo à Presidência

Barral admitiu que se a Câmara de Comércio Exterior (Camex) estivesse fisicamente vinculada à presidência da República, a atuação do órgão poderia ir além do que vai atualmente. "Se houvesse vinculação direta, fixa, passaria a ter um simbolismo que vai além do que está nas normas", afirmou durante entrevista coletiva. "A Camex é vinculada à presidência. É um órgão da presidência da República, mas, na prática, tem vinculação grande com MDIC", salientou o secretário, referindo-se ao apelo feito ontem aos presidenciáveis Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), de vinculação da Camex à presidência da República.

Para Barral, não se trata de uma mudança institucional. "Não li a proposta, mas pelo que entendi que defenderam, querem uma atuação maior do presidente", disse. "Para isso, não é preciso uma mudança institucional." Ele avalia que o comércio exterior teve atenção do atual governo e salientou a integração entre a Camex e o Itamaraty. "Trocamos impressões a todo o tempo", comentou.

(Texto atualizado às 11h50)

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