Brasil não é mais o pequeno "b" dos BRICs

Para Christopher Garman, do Eurasia, porém, é um pouco exagerado dizer que o País está prestes a virar superpotência

Luciana Xavier e Célia Froufe,

11 de julho de 2008 | 16h38

O diretor do Eurasia Group em Washington, Christopher Garman. "O Brasil já não é o pequeno 'b´ dos BRICs", comentou, em relação ao grupo de emergentes com maior potencial de crescimento nas próximas décadas (Brasil, Rússia, Índia, China). "A questão é saber o quanto o Brasil pode aproveitar dos ativos que tem", completou. - Ouça entrevista com Christopher Garman Segundo ele, a previsibilidade política no Brasil é um dos pontos que o destaca em relação aos demais BRICs. Além do mais, o País deve continuar se beneficiando com a alta das commodities e da necessidade cada vez maior que o mundo tem delas. Garman, porém, é cauteloso ao comentar o caderno especial sobre o Brasil publicado na terça-feira pelo jornal Financial Times, no qual se afirma que não é exagero dizer que o Brasil está à beira do status de superpotência. "Acho um pouco de exagero, mas reflete bem o crescente interesse do investidor no Brasil. O Brasil é a menina dos olhos do investidor hoje", avaliou. O diretor disse ter notado um interesse crescente de investidores do Japão e Cingapura no Brasil. "Mas também vejo interesse dos investidores de Nova York, de Londres. Os investidores de outros países estão repensando o Brasil para apostas mais agressivas". Inflação A inflação é hoje a grande preocupação dos investidores e o modo como os governos estão reagindo a ela está sendo acompanhado de perto por eles, disse Garman, que há duas semanas mudou sua base de Nova York para Washington. Segundo ele, nesse aspecto o Brasil tem levado vantagem em relação a outros países latino-americanos. "O BC tem reagido com grande responsabilidade e Lula tem dado total autonomia ao BC. Não se pode dizer o mesmo de outros países da região", avaliou. De acordo com Garman, apesar dos receios com a inflação, não existe entre os investidores estrangeiros o temor de que ela saia controle e tampouco sobre o tamanho do ciclo de aperto monetário. "Está evidente que Lula vê a inflação como problema a ser atacado. E a credibilidade do BC está em alta, o que facilita seu trabalho. O BC tem liberdade política para fazer um ajuste maior, se necessário. Já na Colômbia, (o presidente Álvaro) Uribe põe uma pressão tremenda no BC para não aumentar juro", comparou. Se por um lado o Brasil virou a menina dos olhos do investidor estrangeiro, por outro o investidor ainda enxerga que há problemas que devem ser resolvidos, como a aprovação de reformas estruturais, em especial a tributária, ressaltou Garman. "A preocupação latente é de que os gastos correntes continuem a crescer", afirmou. Garman, no entanto, disse que as chances de a reforma tributária ser feita este ano praticamente desapareceram. Ele disse que a reforma tributária poderia ser aprovada na Câmara este ano e acredita que a chance de passar no Senado no ano que vem é de 50%. "Mas a reforma tributária ainda tem condições de ser aprovada no governo Lula", concluiu. O risco maior, segundo Garman, é que para aprová-la o governo tenha que fazer muitas concessões e alterações na proposta original. "O risco é de que o teor da reforma vá de diluindo e de que seja menos ambiciosa", comentou.

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