Brasil pode crescer 5% em 2010 sem pressões inflacionárias

Questão fiscal deve ser prioridade do governo, diz economista Otaviano Canuto, do Banco Mundial (Bird)

Luciana Xavier, da Agência Estado,

27 de outubro de 2009 | 14h47

O horizonte parece realmente promissor para o Brasil e não há nenhum monstro escondido que esteja passando despercebido pelos economistas em suas avaliações otimistas, acredita o economista Otaviano Canuto, vice-presidente e chefe para rede de redução da pobreza e gestão econômica do Banco Mundial (Bird). Sendo assim, Canuto acha que o País pode crescer 5% em 2010 sem pressões inflacionárias e disse que a questão fiscal é realmente a que deve ser vista com mais atenção daqui para frente. "Se há algum (monstro) está tão escondido que ninguém consegue enxergar no momento", brincou o economista, em entrevista por telefone, de Washington, ao AE Broadcast Ao Vivo. Canuto foi também vice-presidente no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda.

 

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Segundo ele, a reação rápida do Brasil e a velocidade de retorno a patamares pré-crise justificam tanta empolgação com o País. Mas disse que, "no momento adequado", o governo deverá começar a rever a qualidade de seus gastos, mesmo que isso tenha que ocorrer num ano eleitoral, como o de 2010. "Eles devem pelo menos mapear o que pode ser feito", afirmou.

 

Canuto comentou que, embora seja cedo para mensurar os impactos da adoção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para capital estrangeiro que entra no País, a medida não deve ter efeito de longo prazo. "A gente sabe que com o passar do tempo a medida em si perde a eficácia. Esses tipos de controles diretos funcionam até que agentes encontrem outras maneiras." De acordo com ele, a taxação do capital estrangeiro só ocorreu agora e não antes da crise, quando o dólar chegou a ficar perto de R$ 1,50, porque naquele período "fazia sentido continuar acumulando reservas". "Esse procedimento funcionou muito bem e temos estoque para enfrentar crises. Mas não dá para acumular reservas indefinidamente", disse.

 

Perguntado sobre que avaliação ele faria dos avanços do País em infraestrutura nos últimos oito anos e aproveitamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Canuto respondeu: "Não vou falar sobre o PAC. Mas o que posso dizer é que nossa infraestrutura, comparável com a de países em situação e renda semelhante à nossa, continua inferior".

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