Brasil pode enfrentar concorrência de caminhões chineses

Em três a quatro anos os fabricantes brasileiros devem enfrentar a concorrência de caminhões chineses. O Brasil já recebe motocicletas do país asiático - algumas para montagem local - e automóveis e picapes começam a chegar este ano. No segmento de veículos pesados, o produto chinês pode chegar a preços 30% mais baixos.O vice-presidente mundial da montadora sueca Volvo, Jorma Halonen, alerta para a necessidade de o Brasil investir em infra-estrutura e educação para enfrentar a concorrência não só da China, mas da "Chíndia", ao incluir a Índia como forte candidata a exportar produtos para o mercado brasileiro.Em janeiro, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Halonen expôs a preocupação ao ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, mas obteve pouco retorno diante da provável saída dele do Ministério. "Ele apenas disse que o governo vai investir em infra-estrutura, mas não deu detalhes."Para Halonen, a China, que produz 250 mil caminhões de grande porte por ano - ante 20 mil do Brasil - dará prioridade aos países da Ásia e África, mas depois será a vez da América Latina. "Em três a quatro anos é possível que marcas chinesas cheguem à região e ao Brasil."Investir em infra-estrutura como rodovias, portos, aeroportos e em educação, na visão de Halonen, ajudaria o Brasil a reduzir custos de produção e a atrair mais investimentos estrangeiros. O executivo, que já presidiu a Scania brasileira entre 1996 e 2001 e hoje é o número dois no comando da Volvo, avalia que os caminhões chineses ainda perdem em qualidade para os brasileiros, mas os fabricantes daquele país avançam a passos largos para eliminar problemas.Como toda multinacional de olho no crescimento de 9% a 11% da economia chinesa, a Volvo montou no país, em 13 anos, seis fábricas de caminhões, ônibus, equipamentos de construção e motores. Em janeiro, o grupo adquiriu 70% da empresa LinGong, que produz pás carregadeiras. Atualmente, negocia uma joint venture com a Dong Feng, que produz 150 mil caminhões e 15 mil ônibus por ano na China. Segundo Halonen, o produto Volvo fabricado na China é em média 10% a 15% mais barato que em outros países, mas fabricantes locais têm veículos entre 30% a 40% mais baratos. São essas fabricantes que têm interesse no mercado latino.A Volvo também conclui este mês a compra da Nissan Diesel, fabricante japonesa de caminhões. A empresa poderá fornecer para o Brasil produtos para complementação de linha. No País, a marca produz caminhões pesados e semi pesados.Ajuda brasileiraMesmo com os custos competitivos da China, é ao Brasil que a Volvo recorre atualmente quando precisa de socorro. Diante da crescente demanda na Europa e da falta de capacidade da matriz, o País vai exportar este ano 5 mil cabines de caminhões para o mercado europeu. "O Brasil é um curinga para abastecer a matriz, pois tem produtos globais.""Poderíamos exportar mais se o real não estivesse tão forte", diz o executivo, que ainda assim projeta expansão da produção no Paraná. Segundo ele, 42% do faturamento da Volvo do Brasil, de US$ 1,5 bilhão em 2006, vieram das vendas externas. O grupo mundial faturou US$ 34 bilhões. A Volvo iniciou produção no País em 1977 e tem uma fábrica de caminhões, ônibus, motor e cabines em Curitiba e uma de equipamentos de construção em Pederneiras (SP).

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