Brasil pode ser grau de investimento logo

Para Otaviano Canuto, do BID, não falta nada para o Brasil receber esse upgrade das agências de rating

Luciana Xavier e Célia Froufe, da Agência Estado,

15 de abril de 2008 | 12h39

A chegada do grau de investimento ou investment grade para o Brasil é agora apenas uma questão de ajuste de calendário das agências de classificação de risco, na opinião do economista Otaviano Canuto, vice-presidente para países do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ou seja, pode ser apenas uma questão de meses até que as agências decidam elevar o grau de confiança no Brasil.   Ouça entrevista com Otaviano Canuto Segundo ele, não falta nada para que o Brasil receba esse upgrade. Ele ressaltou que, "do lado do balanço de pagamentos, o Brasil tem mais do que o suficiente para o grau de investimento", assim como na evolução da dívida pública, que, para Canuto, deve manter sua trajetória de queda. Para o ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda no primeiro mandato de Lula e também ex-diretor do Banco Mundial (Bird), a turbulência no cenário externo não deve atrapalhar a vinda do grau de investimento e tampouco o possível início de um aperto monetário o fará. "O modo responsável com que a política monetária tem sido aplicada no Brasil fortalece (a vinda) do grau de investimento, independentemente de alta ou corte de juros", explicou, de Washington, ao AE Broadcast Ao Vivo.Canuto disse que houve uma melhora substancial do Brasil nos últimos sete anos e disse ter notado muita mudança desde que foi morar nos Estados Unidos há cerca de quatro anos. "O Brasil é hoje um País muito melhor, mais confiante no futuro, que tem mostrado estabilidade de gestão macroeconômica, embora haja muito a ser feito", comentou. O economista lembrou ainda que as agências têm critérios diferentes entre si para decidir sobre o upgrade de um país, o que explica o Peru já ser grau de investimento pela Fitch, upgrade anunciado no último dia 2, mas não pela Moody's ou Standard & Poor's (S&P). "Há um componente de subjetividade inevitável (no rating). Rating não é julgamento do país, mas cálculo de probabilidade de que um país entre em calote. É verdade também que o tamanho e perfil da dívida do Peru são melhores que o do Brasil. Mas é preciso parar de entender rating como concurso de beleza", avaliou, frisando mais uma vez que o rating mede a chance de um calote de um país. A S&P já acenou para a possibilidade de o Brasil e o Peru serem os próximos a receberem essa classificação. A Moody's frisou que o Brasil precisa fazer reformas para ter o grau de investimento e a Fitch declarou recentemente que não espera que Brasil cresça a taxas de 5% a 6% para dar upgrade, mas sim que conduza um "crescimento não inflacionário". Canuto comentou ainda ser "alvissareira" a notícia dada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) de que a área chamada "Pão de Açúcar", na Bacia de Santos, pode acumular até cinco vezes o volume de petróleo encontrado pela Petrobras em Tupi. "Mas isso dá um horizonte melhor no longo prazo, a partir de 2012", comentou. EUAO Federal Reserve terá que, mais do que nunca, mostrar sua habilidade para lidar com a recessão no país e também com os sinais de inflação. "O Fed terá que manter um olho na liquidez e outro na inflação", disse Canuto. Segundo ele, o banco central americano deve, por enquanto, continuar com os cortes dos Fed Funds, atualmente em 2,25%. "A disposição (do Fed) é de baixa até que considere que de fato houve aumento de liquidez", afirmou. O economista afirmou ainda que a inflação global deve continuar elevada por mais um ou dois anos, por causa dos preços de energia e alimentos, sendo que esse último item deve ser o primeiro a desacelerar, o que deve ocorrer a partir do ano que vem. Para Canuto, que mora em Washington, o pior da crise financeira nos EUA já passou, mas o efeito na economia real será percebido ao longo deste ano, com custo do crédito mais alto, retração do consumo e revisão dos planos de investimentos da empresas. Canuto acredita que a probabilidade de corridas de investidores de fundos e bancos como as que ocorreram recentemente é baixa e disse que o resgate do Bear Stearns pelo JPMorgan "foi crucial". "(O resgate) não premiou os acionistas do Bear, mas evitou a quebra e cortou o risco de infectar o sistema como um todo", avaliou.

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