Brasil se mostrou mais forte que outros na crise, afirma Leos

Vice-presidente sênior da agência Moody's para América Latina comenta a elevação para grau de investimento

Luciana Xavier, da Agência Estado,

24 de setembro de 2009 | 10h06

O fato de o Brasil ter sofrido menos durante a crise global e estar se recuperando com mais força foi decisivo para que o Brasil finalmente seja visto como um país grau de investimento pela agência de rating Moody´s, admitiu na última terça-feira, 22, Mauro Leos, vice-presidente sênior para América Latina, em entrevista exclusiva, por telefone, de Nova York, ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

som Ouça a entrevista na íntegra

 

A Moody's elevou esta tarde os ratings de dívida do Brasil em moeda local e estrangeira do grau especulativo Ba1 para Baa3, patamar inicial para créditos com grau de investimento. A perspectiva para os novos ratings é positiva.

 

"Basicamente o que vimos é que com o choque global, o Brasil não só teve desempenho melhor do que as pessoas pensavam como parece estar mais forte ou equivalente a países que já são grau de investimento. Isso foi uma consideração importante", citando o desempenho da economia do balanço de pagamentos e do sistema bancário nesse período comparativamente a outros países.

 

Leos lembrou que a melhora das contas fiscais tem sido levada em conta pela Moody´s nos últimos anos e que mesmo agora, após os gastos adicionais do governo com a crise, a agência avalia que o País parece melhor do que outros países em igual posição. "Os desafios (fiscais) do Brasil são menores do que em outros países com a mesma nota", disse.

 

Desempenho

 

Tudo indica que o Brasil está num momento positivo que deve perdurar, avaliou Leos. "Muitos indicadores econômicos apontam para uma forte recuperação (do Brasil), uma recuperação em 'V'. Se você olhar para diferentes países, em desenvolvimento e desenvolvidos, há poucos que não foram tão afetados pela crise e que possuem fortes sinais de retomada. O Brasil é um deles. Isso é algo importante a ser levado em consideração. Além disso, há um interesse crescente do investidor estrangeiro no Brasil", ressaltou.

 

Com esse interesse maior de estrangeiros, o fluxo de recursos para o País deve aumentar, acredita Leos. Segundo ele, o governo brasileiro precisa estar alerta para o caso de o País vir a receber "muito capital". Ele ressaltou que embora não falte estabilidade macroeconômica, com a vinda de mais recursos externos, o País precisa se certificar que está pronto para recebê-lo e se assegurar que as políticas fiscais e monetárias continuem a melhorar, sem focar apenas no curto prazo.

 

"O maior risco para o Brasil, e isso pode parecer estranho, é que haja otimismo exagerado. No sentido de que, sim, as coisas estão indo melhor do que esperado, mas sempre há riscos. E se o governo não continuar agindo ou se houver muita entrada de capital, isso pode trazer alguns problemas", alertou.

 

Leos disse ainda que a condução da política monetária teve peso tem tido peso relevante para os upgrades do País. "Temos dito repetidamente que o Banco Central é um elemento fundamental", disse Leos, frisando que não se refere (à queda) dos juros. "Quando digo isso, me refiro à credibilidade da política monetária e o compromisso do BC com a meta de inflação".

 

Ao promover o upgrade do Brasil para grau de investimento, com perspectiva como positiva, a Moody's deixa claro que acredita que o País tem potencial para crescer com mais vigor nos próximos anos e não necessariamente que um novo upgrade viria mais rápido, explicou Leos.

 

"Nossa visão é de médio prazo. Um novo passo levará pelo menos 18 meses, mas pode demorar até 24 meses. O que queremos dizer com a perspectiva positiva é que as perspectivas para o Brasil são melhores do que para outros países. O Brasil não foi muito machucado pela crise e tem condições de melhorar ainda mais", afirmou.

 

Sobre o fato de a Moody's ter sido a última das três principais agências de classificação de risco a conceder o grau de investimento ao Brasil, Leos disse que não queria avaliar como o Brasil se sairia diante da crise global. Segundo ele, não se trata de estar atrasado. Em abril do ano passado, a Standard & Poor´s elevou a nota de risco de crédito do Brasil de "BB+" para "BBB-", ou seja, grau de investimento. Um mês depois foi a vez da Fitch Rating, , que mudou a mudança na classificação passou de BB+ para BBB-, que é a primeira escala na classificação de grau de investimento.

Tudo o que sabemos sobre:
Mauro LeosMoody'srating

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.