Brasil se recupera com vigor, mas há dúvidas externas

Para Armando Castelar, da Gávea Investimentos, não há muito espaço para valorização da bolsa e do real

Luciana Xavier, da Agência Estado,

22 de setembro de 2009 | 10h37

Os últimos dados sobre a economia brasileira permitem fazer previsões mais otimistas da recuperação do País, avalia o economista Armando Castelar, da Gávea Investimentos e professor da UFRJ. "A economia está indo bem, se recuperando mais rápido e com mais vigor do que o esperado. Mas há dúvidas em nível global", ressaltou ao AE Broadcast Ao Vivo. Castelar acrescentou que a alta de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre "fez todo mundo elevar as previsões".

 

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Segundo ele, sua estimativa de PIB negativo para 2009 agora está perto de zero e a projeção para 2010 está mais perto de 5% do que de 4%, como previsto anteriormente. No entanto, o economista acredita não haver muito espaço para valorização da bolsa e do real, tendo em vista a rapidez com que o mercado acionário e o de câmbio mudaram de patamares em relação aos piores momentos da crise.

Castelar também avalia que o ritmo de retomada do País permitirá ao Banco Central manter a Selic em 8,75% pelo menos até meados de 2010. Para Castelar, a questão fiscal é uma preocupação maior no médio prazo. "Ela pode acabar comprometendo a volta de superávits mais altos", explicou.

Segundo ele, o risco de a meta de superávit primário não ser cumprida é maior este ano do que no ano que vem. Castelar manifestou ainda preocupação de que o governo, no lugar de cortar despesas, opte por aumentar impostos para melhorar seus resultados fiscais.

A arrecadação, completou ele, deve começar a subir a partir do início de 2010, dando algum fôlego extra ao governo. A arrecadação da Receita Federal em agosto somou R$ 52,068 bilhões, apresentando uma queda real (com correção pelo IPCA) de 7,49% sobre agosto de 2008 e de 11,39% sobre julho deste ano.

Castelar explicou que o resultado ruim da arrecadação nos últimos meses foi muito afetado pela queda nas exportações e com a retomada da economia esse cenário deve se reverter. Ele observou inclusive que o fluxo cambial do País, que tem se mantido no terreno negativo, também deve começar a mostrar fluxo positivo até o final deste ano e o Investimento Estrangeiro Direto (IED) também deve ficar mais robusto nos próximos meses.

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