Brasil será dos primeiros a se recuperar, diz Phelps

Nobel de Economia diz que vê 'futuro brilhante' para o País e ressalta que a retomada global se dará aos poucos

Luciana Xavier e Nathália Ferreira, da Agência Estado,

08 de maio de 2009 | 15h55

Há sinais de que o mundo pode estar no início de um processo de recuperação, conforme indicadores recentes têm mostrado, mas essa recuperação não levará o mundo de volta aos tempos de abundância de antes da crise, acredita o Prêmio Nobel de Economia Edmund Phelps, que concedeu nesta sexta-feira, 8, entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

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Phelps este em São Paulo recentemente para participar do 2º Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade. Ele é professor de política econômica da Universidade de Columbia, Nova York e ganhou o Nobel em 2006 por seus trabalhos sobre a relação entre emprego e inflação.

 

Para o economista, a recuperação do mundo se dará "pouco a pouco" e ainda assim não será completa. "É errado pensar nesta recessão como sendo em forma de 'L' (recessão seguida de estagnação). Logo, não acho que a recuperação ocorrerá dessa forma. Tampouco será em forma de 'V' (recessão seguida de recuperação completa), porque não acredito que voltaremos para onde estávamos. Acho que teremos uma recuperação até metade do caminho, pensando nos Estados Unidos em particular. Imagino que será algo entre isso, uma recuperação em forma de 'J' ao contrário ou de um gancho", explicou.

 

Para Edmund Phelps, a China deve liderar essa retomada global, o Brasil também estará na linha de frente, enquanto a Europa, por sua vez, deve ser a região que mais sofrerá e levará mais tempo para se reerguer economicamente.

 

"Como o potencial de crescimento da China é tão alto, é quase certo que a China sairá desse processo de desaceleração primeiro. Pode ser que a Índia também. E acho que o Brasil está também entre os primeiros a dar a virada. Creio que os Estados Unidos não ficarão muito para trás também. Já a Europa será o pior caso. Eles sim estão bem distantes de uma virada", avaliou Phelps pouco antes de participar do seminário.

 

Desafio

 

Embora o mundo ainda esteja em plena crise, tentando se reerguer, pode não demorar muito para os bancos centrais terem de reavaliar o modo como estão conduzindo a política monetária de seus países, de acordo com Phelps.

 

"Os bancos centrais logo enfrentarão um desafio enorme de ter de subir os juros. Uma vez que o consumidor estiver convencido de que chegamos ao fundo do poço, creio que os juros deverão saltar para patamares mais elevados. Os bancos centrais estarão diante de um dilema: elevar os juros para prevenir a inflação ou manter juros baixos para encorajar a recuperação? E temo que alguns bancos centrais não terão coragem de aumentar os juros. E esses países terão que conviver com inflação bem alta", afirmou Phelps.

 

Além de avaliar que o Brasil pode ser uma das primeiras economias a sair da crise, Phelps disse que vê um "futuro brilhante" para o País. "As exportações estão começando a melhorar e os países latino-americanos, de um modo geral, estão se saindo muito bem. As taxas de juros estão caindo satisfatoriamente na América Latina e devemos ter um desempenho excelente na região nos próximos anos", acredita.

 

"Vocês têm sorte de terem vizinhos que estão indo bem. Vocês não iam querer estar próximos agora de países do Leste Europeu ou perto da África. Acho que o Brasil está bem localizado", acrescentou o professor Phelps, de maneira bem-humorada.

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