Brasil só deixa de ser líder de juro alto com Selic a 8%

O Brasil lidera, com certa folga, o ranking de melhor pagador de juros reais do mundo, entre as taxas praticadas em 40 países, segundo cálculos feitos pela Cruzeiro do Sul Corretora, em parceria com a Weisul Agrícola. O juro real considera a taxa básica de juros da economia, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

OLÍVIA BULLA, Agencia Estado

30 de novembro de 2011 | 09h50

Pelo levantamento feito pelos analistas Jason Vieira e Thiago Davino, seria necessário que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzisse a taxa Selic em 3,50 pontos porcentuais na reunião de hoje para que o País abandonasse o topo da lista. Ou seja, nem o corte de 0,50 ponto porcentual, esperado pela ampla maioria dos analistas, ou mesmo uma redução mais ousada, de 1 ponto, seria suficiente para retirar os juros brasileiros da incômoda posição de liderança.

Considerando-se uma Selic já em 11,00% ao ano, o Brasil encabeçaria o ranking de juros reais, com uma taxa de 5,1%. Na segunda colocação e bem atrás da posição nacional de liderança, apareceria a Hungria, com 2,5%. Ontem, o banco central húngaro elevou a taxa básica de juros pela primeira vez desde janeiro, de 6,00% para 6,50%, conforme esperado.

Empatados em terceiro lugar nessa mesma projeção estão Indonésia e Chile, com 1,5% de juro real cada. O México fecha a lista dos Top 5 com 1,3%.

A China é o primeiro país entre os Brics a aparecer na lista, com um taxa de juro real de 1,0%. O gigante asiático aparece empatado com outro emergente, a Rússia. O primeiro país desenvolvido a aparecer na lista é o Japão, na 11ª posição, com juro real de 0,3%.

"Mesmo com uma elevação em algumas projeções de inflação, inclusive a do Brasil, o país ocupa em todos os cenários o topo do ranking como o melhor pagador de juros reais do mundo", afirma Vieira, em relatório. Ele destaca que o País supera, inclusive, a Venezuela, o maior pagador nominal da atualidade, que tem uma taxa de juro de 18,30% ao ano. A exceção ficaria para um improvável corte de 3,50 pontos porcentuais na Selic hoje, o que deixaria o juro real brasileiro com uma taxa de 2,3%.

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