Brenco deve emitir R$ 155 milhões em debêntures antes da fusão com ETH

O acordo entre Brenco e ETH foi anunciado em outubro e deverá ser concretizado em breve

Gustavo Porto e Eduardo Magossi, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 19h40

A Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco) prepara a emissão de até R$ 155 milhões em debêntures simples, com garantia flutuante. A operação deve ser aprovada na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o próximo dia 25 pelo presidente da companhia Henri Philippe Reichstul, de acordo com publicação hoje no "Diário Oficial" do Estado de São Paulo. No mercado existe a percepção de que o programa a ser aprovado na assembleia possa superar os R$ 155 milhões previstos. Em 2009, a Brenco captou R$ 500 milhões via emissão de debêntures.

 

Fontes do mercado ouvidas pela Agência Estado avaliam que os recursos a ser captados com a emissão seriam parte da injeção de capital que deverá caber à Brenco para efetivar a criação de uma joint venture com a ETH, do Grupo Odebrecht. O montante a ser injetado pela Brenco seria em torno de R$ 300 milhões. Procurada pela reportagem, a Brenco não se manifestou

sobre o assunto.

 

O acordo entre Brenco e ETH foi anunciado em outubro e deverá ser concretizado em breve. Fonte próxima à negociação afirma que a fase de negociações entre ETH e Brenco já se encerrou e agora as empresas estão na fase de acerto final para a concretização da fusão.

 

O acordo final entre as duas empresas já deveria ter sido anunciado em dezembro, mas uma redução no valor oferecido pela ETH à Brenco fez com que as negociações se complicassem durante a fase final de diligências. Segundo uma fonte, a ETH teria reduzido o valor porque, durante a fase de análise da Brenco, teria encontrado equipamentos comprados a preços acima do mercado e um cronograma de entregas e montagem de usinas mais complicado que o esperado inicialmente.

 

Com as negociações emperradas, a Brenco cogitou buscar recursos de seus acionistas estrangeiros para terminar a construção de suas usinas greenfield, caso o acordo com a ETH fosse desfeito.

 

A ETH, controlada pela Odebrecht juntamente com a trading japonesa Sojitz, que possui 33% das ações, tem cinco usinas, três das quais entraram em operação em 2009. A Usina Rio Claro, em Goiás, a Usina Santa Luzia I, em Mato Grosso do Sul e a Conquista do Pontal, em São Paulo, iniciaram suas operações no segundo semestre de 2009 com capacidade de moagem de 3 milhões de toneladas de cana cada uma. A ETH também comprou duas outras usinas: a Eldorado e a Alcídia, que processam 2,1 milhões a 2,4 milhões de toneladas, respectivamente. Como essas usinas já estavam operando, isso beneficiou o fluxo de caixa da empresa.

 

Já a Brenco ainda não tem usinas em operação. A expectativa é de que a primeira usina, a Morro Vermelho, em Goiás, inicie o processamento em 2010. A Usina de Alto Taquari, em Mato Grosso, poderá entrar em operação até o final deste ano, e as outras duas, Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, e Água Emendada, em Goiás, apenas em 2011. Todas possuem capacidade de moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana cada.

 

Entre os acionistas da Brenco, estão o próprio Reichstul, o ex-presidente do Banco Mundial James Wolfensohn, o fundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla, e o fundo de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar).

 

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