Brenco vai captar R$ 655 milhões com acionistas antes da fusão

A Brenco fará uma chamada de capital de R$ 655 milhões entre seus acionistas na próxima semana antes da fusão. Os recursos serão utilizados para completar as quatro unidades da empresa, que ainda não entraram em operação, segundo o presidente da companhia, Philippe Reichstul. Conforme o executivo, deste total, R$ 380 milhões serão obtidos através

Eduardo Magossi, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 19h27

da conversão de dívida em ações e R$ 275 milhões em aporte de dinheiro novo. Destes R$ 275 milhões, cerca de R$ 55 milhões serão injetados pelo BNDES, de acordo com o presidente da ETH, José Carlos Grubisich.

A ETH Bioenergia - empresa que surge da união dos ativos da ETH e da Brenco - deve concluir um período de transição para a fusão até abril. Até lá, os atuais presidentes da ETH e da Brenco comandarão um comitê que cuidará dos detalhes práticos e da formação da equipe executiva da nova empresa. Em abril, Reichstul deixa o cargo e Grubisich se manterá na presidência da companhia.

Na prática, a ETH assumiu o controle da Brenco, detendo 65% do capital, através de seus acionistas Odebrecht (que terá 43% do total) e Sojitz Corporation (com 22% da nova empresa). A Brenco ficará com 35% das ações da nova empresa, sendo que o BNDESPar deterá 16,6%, o fundo Renovável (controlado pelo fundo Ashmore) ficará com 15%, o fundo Tarpon ficará com 2,7% e os demais acionistas terão 0,6%. Segundo o presidente da ETH, estas participações já contabilizam o novo aporte de capital

que os acionistas da Brenco farão antes da fusão.

A ETH terminou a safra 2009/10 com a moagem de cerca de 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em cinco unidades que possuem uma capacidade instalada de 13 milhões de toneladas. Com a incorporação da Brenco, que ainda não tem nenhuma das quatro unidades em operação, e investimentos em expansão, a nova empresa espera terminar a safra 2012/13 moendo 40 milhões de toneladas de cana, produzindo 3 bilhões de litros de etanol, 2.700 Gwh ano de energia elétrica a partir de bagaço e 600 mil toneladas de açúcar. "Projetamos nosso faturamento em R$ 4 bilhões em 2012", disse Grubisich.

Reichstul ressalta que a produção estimada de energia elétrica da ETH Bioenergia em 2012 é igual ao consumo do Estado da Paraíba. Deste total, 75% da energia já foram vendidos nos leilões de reserva do governo. O executivo informou também que a Brenco tem acordos fechados de fornecimento de energia por um prazo de 15 anos a R$ 160 por Mwh.

 

Grubisich informou que a prioridade da ETH, neste momento, é colocar as nove unidades da nova empresa em total operação e neste processo serão investidos R$ 3,5 bilhões até 2012, totalizando investimentos de R$ 7,3 bilhões. Segundo ele, a empresa não descarta, contudo, expansão internacional na América Latina, região do Caribe, e na África. Ele explica que a experiência que a Odebrecht está conquistando em Angola, na África, está sendo muito importante. "É interessante que o controlador tenha esta experiência política na África já que ela fica logisticamente em uma região geográfica importante", disse.

Para a expansão, Grubisich disse que vai manter a atual estrutura de capital dos investimentos, que é de 40% em recursos próprios e 60% em dívida de longo prazo. Segundo ele, a ETH Bioenergia deverá abrir capital no momento em que o mercado estiver melhor. "A abertura de capital não é um objetivo por si mesmo. Ela deve acontecer quando for positiva para a geração de caixa e dar oportunidade de liquidez para os acionistas", disse.

 

Grubisich disse também que irá levar adiante o projeto de alcoolduto projetado inicialmente pela Brenco, que irá do Alto Taquari, no Mato Grosso, até o porto de Santos, passando por 1.120 km, com um investimento estimado de R$ 1,7 bilhão. Segundo Reichstul, da Brenco, a união das duas empresas forma um ganho de escala e uma força capaz de realizar investimentos em infraestrutura, como o alcoolduto.

 

No conjunto das nove usinas, a ETH entra com cinco usinas, três das quais são projetos greenfield que entraram em operação no segundo semestre de 2009: as usinas Rio Claro, em Goiás, a Usina Santa Luzia I, em Mato Grosso do Sul e a Conquista do Pontal, em São Paulo. Elas iniciaram as operações com capacidade de moagem de 3 milhões de toneladas de cana. Além dos novos projetos, a empresa também comprou duas outras usinas: a Eldorado e a Alcídia, que moem 2,1 milhões e 2,4 milhões de toneladas, respectivamente.

 

Já a Brenco conta com quatro unidades ainda não operantes. A expectativa é de que a primeira usina, a Morro Vermelho, em Goiás, entre em operação em maio. A Usina de Alto Taquari, em Mato Grosso, entrará em operação em agosto de 2010, e as outras duas, Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, e Água Emendada, em Goiás, entram em operação em 2011. Todas possuem capacidade de moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana cada.

 

 

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