AP Photo/Evan Vucci
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Broadcast Top Picks: Guerra comercial preocupa, mas também pode gerar oportunidades

Para analistas do mercado financeiro, maiores oportunidades estão no setor de exportação de commodities

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 19h30

Os analistas do mercado financeiro se mostram preocupados com os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mas também enxergam algumas oportunidades para setores específicos da economia brasileira, especialmente para os exportadores de commodities.

 

"No curto prazo, Brasil já tem tido benefícios com os conflitos entre EUA e China, pois o aumento das taxas impostas por ambos os países tornam as negociações entre eles mais custosa. Sendo assim, os países buscam no mercado novos fornecedores, para evitar o encarecimento das importações", afirma André Ferreira, analista da MyCap.

Como exemplo de segmentos que podem se beneficiar, ele cita produtos químicos e agrícolas, combustíveis e cereais, além de materiais de construção. "O Brasil, por ser o terceiro maior exportador agrícola, é um substituto natural, mas além deles, o País tem se beneficiado com a exportação dos demais", diz Ferreira.

No entanto, ele chama atenção de que esse cenário só se sustenta no curto prazo. "O acirramento dessas disputas poderá acarretar em uma desaceleração da economia mundial no médio e longo prazo, elevando o risco de uma recessão em escala global", completa.

Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, também acredita que, no médio e longo prazo, uma disputa como essa não é boa para ninguém. "Porém, no curto prazo, pode ser temporariamente favorável para alguns países emergentes, como o Brasil, principalmente no que tange às commodities agrícolas e produtos intermediários exportáveis."

Para o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, a evolução dessa guerra comercial terá como resultado a desaceleração do consumo de commodities por parte da China, algumas delas importantes na balança comercial brasileira, como minério de ferro e petróleo, o que afetaria os resultados de Vale e Petrobrás.

Mas ele acredita que o setor de alimentos pode se aproveitar dessa situação. "Caso a China reduza a aquisição de soja dos EUA, o Brasil pode ser beneficiado. Independentemente da guerra comercial, as empresas de proteína animal devem surfar com a crise de suínos na China. Já outros setores estarão atrelados ao sucesso do governo em gerar recuperação da economia doméstica, que dependendo da intensidade, pode colocar o Brasil como uma ilha para atrair investimentos", opina Galdi.

No que diz respeito às carteiras recomendadas para a próxima semana, não houve muitas mudanças por parte das corretoras. Somente a Mirae trocou toda sua lista, composta agora por Banrisul PNB, JBS ON, MRV ON, Rumo ON e Via Varejo ON. No que diz respeito à JBS e Rumo, que ainda não apresentaram seus resultados do segundo trimestre, a corretora espera bons números, já que no caso da empresa de alimentos, devem aparecer os efeitos da alta dos preços da carne.

A Guide fez duas alterações, retirando Lojas Renner ON e CSN ON, com as entradas de BRF ON e Cyrela ON. No caso da BRF, a corretora cita a gripe suína africana como benéfica para a companhia, inclusive por conta da substituição de carne suína por de frango. Sobre a Cyrela, os analistas acreditam numa recuperação acelerada das construtoras voltadas para de média/alta renda.

A MyCap fez duas alterações, retirando Petrobrás PN e Rumo ON, com a inserção de Itaúsa PN e Kroton ON. A Nova Futura fez quatro mudanças, com a manutenção de EDP Energias do Brasil ON, e as entradas de Gerdau PN, SLC ON, Ultrapar ON e Telefônica Brasil PN.

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