Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Ações do BTG sobem mais de 13% diante de possível fôlego com venda de ativos

BR Pharma também foi impactada pela expectativa positiva e ações avançam mais de 35%; cautela, no entanto, predominou nos negócios na Bolsa com a possível saída de Levy

Fabrício de Castro, Cláudia Violante, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 11h46

(Atualização às 18h)

As units do BTG Pactual tiveram alta de 13,64% nesta sexta-feira, 11. Segundo operadores, o leilão de ações da BR Properties passa a sensação de que a venda de ativos pode dar um fôlego para o banco se recuperar dos problemas causados pela prisão de André Esteves.  Além disso, alguns investidores começam a enxergar oportunidade de compra, uma vez que, só em dezembro, os papéis acumulam queda próxima a 40%. Na esteira do avanço, as ações com direito a voto (ON) da BR Pharma, braço farmacêudtico do grupo, subiram 35,55%.

Desde a prisão de Esteves, em 25 de novembro, é a segunda vez que os papéis do BTG Pactual operam em alta. Segundo profissionais do mercado, além do leilão de ações da BR Properties, que teve a GP Investments como principal comprador, a notícia sobre um possível interesse do Credit Suisse na compra do BSI, banco suíço comprado recentemente pelo BTG, passa a mensagem de que o banco pode colocar suas finanças em ordem para continuar operando. O Credit Suisse estaria oferecendo cerca de 1 bilhão de euros pelo BSI, informa Sonia Racy, na coluna Direto da Fonte, do jornal O Estado de S. Paulo.

Um profissional lembra que a BR Pharma também poderia ser um ativo atraente para concorrentes no mesmo setor. Em comunicados divulgados hoje, o BTG reiterou que tem sido procurado por investidores interessados em seus ativos e confirmou a criação de um comitê especial para investigar os temas ligados à prisão de Esteves. 

A cautela, no entanto, predominou nos negócios na Bolsa com as preocupações em torno de possível saída do Ministério da Fazenda, Joaquim Levy, embora o recuo tenha sido puxado mais diretamente por Nova York e pelas perdas das commodities ao redor do mundo.   

O Ibovespa - índice de referência da Bolsa brasileira - cedeu 0,81%, aos 45.262,72 pontos, prejudicado pelo forte recuo das ações em Nova York. Profissionais do mercado citaram um movimento global de busca por segurança, que penalizou as commodities, os ativos de países emergentes, as Bolsas europeias e americanas, para justificar o desempenho da Bovespa.

A questão envolvendo Levy também foi monitorada e a cautela em torno da política permeava as mesas no Brasil, ainda mais com manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff programadas para o fim de semana. 

No fim da tarde de hoje, fontes informaram que Levy e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, haviam sido convocados por Dilma para uma reunião no Planalto, justamente para discutir a meta fiscal de 2016. Barbosa é um dos membros do governo que defendem uma meta mais "flexível", e não o 0,7% de Levy. Eventuais impactos na Bolsa serão sentidos apenas na segunda-feira.

No campo corporativo, as ações com direito a voto (ON) da Petrobrás tiveram baixa de 3,15%, e as preferenciais (PN) recuaram 2,42%, refletindo a queda nos preços do petróleo. Os papéis de Vale tiveram quedas de 3,16% (ON) e de 4,19% (PNA), após a Moody's rebaixar a nota de crédito da mineradora, que está a um passo do grau especulativo. A agência de classificação de risco também colocou em revisão para possível downgrade os ratings de 17 bancos e da BM&FBovespa, o que penaliza o setor financeiro como um todo.

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