Cachaça é a nova aposta da Diageo

Quando o executivo americano Randy Millian comprou para sua empresa a cachaça Nega Fulô, há sete anos, resolveu deixá-la na prateleira. Ele não sabia exatamente o que fazer com a marca, mas tinha certeza que um dia a bebida teria seu valor. Pois esse dia chegou. A cachaça é a mais nova aposta da Diageo, a maior fabricante de bebidas do mundo, com vendas anuais de US$ 18 bilhões."Até um ano atrás, não era nosso enfoque. Agora é. O mundo está preparado para a cachaça", diz Millian, presidente da Diageo para a América Latina. "Vender o Brasil lá fora é bom."As vendas da Nega Fulô representam menos de 1% do faturamento da subsidiária brasileira, que tem entre suas estrelas o uísque Johnnie Walker, a vodca Smirnoff e a cerveja Guinness. A cachaça é vendida em apenas dez países. "A Diageo está tentando achar um caminho para ganhar dinheiro com cachaça. Parte desse trabalho é criar o segmento premium", diz Milian. "A gente não pode criar uma marca mundial vendendo garrafa a um dólar."No momento, a Diageo estuda formas de desenvolver esse mercado. Uma das alternativas mais prováveis, segundo Millian, é lançar uma família de Nega Fulô, a exemplo do que já existe com o Johnnie Walker. Hoje, a empresa tem uma única versão da cachaça, vendida por menos de R$ 20 no Brasil. O executivo não revela detalhes do plano, mas adianta que a Nega Fulô já está sendo reformulada.A Diageo pretende repetir com a cachaça o mesmo trabalho feito com a tequila José Cuervo, uma das principais bebidas do seu portfólio mundial. A companhia foi responsável por tornar o produto conhecido além das fronteiras do México.Em maio, executivos da Diageo entregaram ao ministro Luiz Fernando Furlan um estudo sobre o desenvolvimento da tequila no México para servir de inspiração à cachaça. "Não vamos fazer isso sozinhos. A indústria mexicana foi responsável por dar um novo status à tequila. Nós só ajudamos a internacionalizá-la", diz Millian.Há três anos, a Apex, a agência que promove as exportações brasileiras, iniciou um projeto de estímulo à internacionalização da bebida junto com a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e a Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique (Fenaca).De lá para cá, houve avanços nas vendas. Segundo dados das entidades, cerca de 1% da produção brasileira (1,3 bilhão de litros) é exportada. Aproximadamente 140 empresas exportam para mais de 60 países. Os principais destinos são Alemanha, Paraguai, Itália e Portugal.Mas, na opinião do gestor do projeto na Apex, Marcos Soares, o resultado poderia ser melhor "se houvesse equipes próprias nas entidades dedicadas exclusivamente ao programa". "A Abrabe não é uma associação só voltada à cachaça. Ela tem outros interesses. E a Fenaca não tem representação nacional e nem industrial", diz.No momento, a Apex está negociando a entrada do Instituto Brasileiro de Cachaça, criado este ano, para dar novo fôlego ao programa. "Os projetos de maior sucesso são aqueles que têm equipe exclusiva", diz Soares.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2006 | 09h01

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