Caixa emite R$ 1 bi em letras financeiras

Caixa também informou que fará em setembro a primeira incursão no mercado de securitização

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 13h31

A Caixa Econômica Federal emitiu R$ 1 bilhão em letras financeiras (LF), espécie de debêntures para os bancos criadas pelo governo no fim do ano passado. O banco público planeja fazer novas captações com as letras e lançar mais R$ 2 bilhões nos próximos meses, segundo o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival. O dinheiro será usado para expansão do volume de empréstimos do banco.

Segundo Percival, o custo da LF ainda é alto quando comparado com outras fontes de captação, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB). "Mas a Caixa quer diversificar suas fontes de funding (recursos), especialmente com instrumentos de longo prazo", diz. A emissão da Caixa foi privada, voltada para um grupo pequeno de investidores, que inclui clientes do banco e outros do mercado. As taxas não foram reveladas.

As LF foram regulamentadas pelo Banco Central (BC) em fevereiro, mas ainda não decolaram. A emissão da Caixa foi a terceira do mercado. O Banco do Brasil (BB) emitiu R$ 1 bilhão e o Santander lançou R$ 500 milhões. Percival diz que as letras são um instrumento importante, mas precisam passar por melhorias. "Esse instrumento é novo, o custo de captação é alto e não há mercado secundário", diz.

O plano da Caixa é captar R$ 3 bilhões com letras. As próximas emissões, segundo Percival, vão depender do avanço desse mercado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está criando regras para permitir que os bancos façam oferta pública de letras financeiras. "Estamos aguardando estas mudanças."

Recebíveis imobiliários

A Caixa também informou que fará em setembro a primeira incursão no mercado de securitização. O banco lançará R$ 500 milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), disse Percival. Até o fim do ano, outra emissão de CRI deve ser feita, também de R$ 500 milhões. "Estamos finalizando a modelagem da operação. O mercado de securitização precisa ser dinamizado", disse.

Percival não vê problemas de funding para o setor imobiliário, com o esgotamento de recursos da poupança. Ao contrário, ele diz que as fontes de recursos estão se diversificando. "Há várias alternativas de financiamento", diz. A Caixa fechou o primeiro semestre com um total de R$ 34,1 bilhões em sua carteira de crédito imobiliário. O resultado representa expansão de 95,1% em relação a igual período de 2009 e já é maior que todo o montante aplicado em moradia no ano de 2008.

O número também representa quase sete vezes o que foi emprestado em 2003. Segundo Percival, o banco público tem feito de 4 mil a 4,5 mil contratos de financiamento por dia. A previsão é de que, até o fim do ano, a aplicação de recursos em crédito imobiliário supere R$ 60 bilhões. Sobre a discussão de que as taxas do compulsório podem ser reduzidas para bancos que emprestam muito para a habitação, Percival diz desconhecer o assunto, mas avalia que a redução é "bem-vinda". "É um funding a mais para o setor", afirma.

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