Câmbio gera expectativa no mercado financeiro

A expectativa do mercado financeiro esta semana estará focada no segmento de câmbio. Além de responder a incertezas externas, como na semana que passou, o dólar poderá reagir também ao pacote de medidas em estudo pelo governo para conter a queda e dar sustentação aos preços da moeda americana. A principal dá ao exportador a opção de manter os dólares que recebe nas vendas no exterior, sem a obrigação existente hoje de trazer os recursos ao País em prazo máximo de até 210 dias. O objetivo seria reduzir a oferta de divisas no mercado e valorizar o dólar diante do real (desvalorização cambial), para estimular as exportações. A combinação de um cenário externo desfavorável e expectativa de novidades no câmbio poderia manter o fôlego do dólar, que avançou 2,99% na semana passada. Entre outros motivos, porque o exportador tenderia a postergar a troca de dólares por reais, à espera de uma cotação mais alta, e quem tem recursos aplicados por aqui poderia antecipar a remessa para aproveitar o preço mais baixo do dólar e remeter maior volume de divisas ao exterior. A preocupação com eventual elevação dos juros americanos foi a principal fonte de pressão sobre os mercados, não apenas do Brasil como de todos os países emergentes, nos últimos dias. A dúvida que incomoda o investidor é saber se o ciclo de elevação dos juros americanos teria chegado ao fim ou se a taxa básica, que está em 5% ao ano, poderia passar por novas altas. "Isso vai depender dos indicadores econômicos que serão divulgados até a próxima reunião do Fed (banco central dos EUA), no dia 29 de junho", diz Rodrigo Boulos, tesoureiro do Banif Investment Bank. A tendência dos mercados esta semana, segundo Boulos, dependerá de dados americanos que serão divulgados, com destaque para dois: o PIB dos EUA no primeiro trimestre, a ser anunciado na quinta-feira, e o PCE, índice de preços dos gastos com consumo pessoal, de abril, conhecido como deflator do PIB americano, na sexta. "Se vierem acima das expectativas, esses dados podem acrescentar maior volatilidade aos mercados, internacional e local." Pelo lado doméstico, vai atrair a atenção do mercado a inflação de maio calculada pelo IPCA-15, a ser divulgado na sexta. E, antes disso, os dados do resultado primário do governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central) de abril e a pesquisa eleitoral do instituto Sensus para a Confederação Nacional do Trabalho (CNT), ambos na quarta-feira. Um dia antes, terça-feira discursa o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke.

Agencia Estado,

21 de maio de 2006 | 18h28

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