Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Câmbio inspira cautela com ações de empresas exportadoras

Segundo analistas, volatilidade recente do dólar leva a uma postura mais cautelosa em relação às empresas desse segmento; mercado modera otimismo com Bolsa

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2018 | 07h00

Enquanto as estatais estão “no olho do furacão” em meio as eleições presidenciais, os analistas traçam cenários para as empresas exportadoras, afetadas, principalmente, pela variação do câmbio. E segundo os profissionais, a volatilidade recente leva a uma postura mais cautelosa em relação às empresas desse segmento.

Para Felipe Silveira, analista da Coinvalores, a tendência é de depreciação do dólar no futuro próximo, já que a divisa está “cara” mesmo em relação a outras moedas que não o real. “Como as nossas top picks deixam claro, nossas recomendações estão muito mais voltadas para o mercado interno”. A carteira da corretora não foi alterada essa semana, e tem Azul PN, Gerdau PN, Magazine Luiza ON, Rumo ON e Trisul ON.

Leia Também

O rali do mercado

O rali do mercado

Essa tendência aparece também na carteira da Guide Investimentos, que retirou Weg ON e Suzano ON das recomendações e optou pelo ingresso de B3 ON e Sabesp ON. Ainda compõem a carteira da corretora Cemig PN, IRB Brasil Re ON e Itaú Unibanco PN.

Ricardo Peretti, estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, projeta o dólar a R$ 3,80 ao final deste ano, patamar muito próximo do atual. “Em uma visão de curto prazo, e considerando que a cotação atual do dólar já é próxima à nossa projeção, esperamos que os investidores reduzam suas compras em ações dolarizadas, cujo desempenho foi favorecido pela disparada da moeda estrangeira entre agosto e setembro”, diz o profissional.

“Vale lembrar que, no caso dessas empresas, a taxa de câmbio é monitorada devido a um grande conjunto de decisões: seguro de exportações, frete, custo de produtos (sobretudo químicos), máquinas e peças importadas, etc. Neste cenário eleitoral, o efeito do câmbio nos negócios é incondicional”, diz Alexandre Faturi, analista da Nova Futura.

Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, tem visão diferente de seus colegas, e aponta principalmente os bons fundamentos de empresas como Suzano e Vale, inclusive o bom momento dos preços globais de papel e celulose, e no caso da mineradora, forte geração de caixa e alavancagem sob controle. “No caso de Embraer e Braskem, temos um cenário de perspectiva novamente binária, com o candidato Fernando Haddad (PT) comentando da possibilidade de interrupção dos processos em andamento de transferência de controle”, diz Suzaki.

A Nova Futura renovou totalmente sua carteira, com a entrada de AES Tietê Unit, Sabesp ON, Sanepar PN, Suzano ON e Vale ON. Saíram BRF ON, CVC ON, Petrobras PN, Usiminas PNA e Ultrapar ON.

Já a Magliano trocou Cemig PN e Klabin Unit por Cemig ON e Pão de Açúcar PN. No caso da estatal mineira de energia, a troca da ação PN por ON se justifica pela configuração das eleições para o governo de Minas Gerais, com o segundo turno disputado por dois candidatos que aumentam as chances de privatização da companhia.

Sobre Pão de Açúcar, a Magliano lembra que a ação acumula queda de mais de 7% em outubro, período no qual o Ibovespa subiu 5,5%. Com isso, o patamar do múltiplo do papel está atraente, na visão da corretora. “Empresa deve se beneficiar da retomada do consumo de produtos básicos após o resultado das eleições e principalmente em 2019”, diz a Magliano.

Mercado financeiro modera otimismo

O mercado financeiro está um pouco mais cauteloso sobre o desempenho do Ibovespa na semana que vem, de acordo com os números do Termômetro Broadcast Bolsa, que contou com 30 participantes. Neste universo, a fatia dos que veem alta para a Bolsa representa 46,67%, abaixo dos 60,71% da pesquisa anterior.

Por outro lado, 30,00% acreditam que a próxima semana será de perdas, ante uma parcela menor, de 21,43%, no último Termômetro. Para 23,33%, a percepção sobre a Bolsa é de estabilidade (17,86% na anterior). O Ibovespa apurou avanço de 0,73% nesta semana.

O Termômetro tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento da Bolsa na semana seguinte.

Na próxima semana, o mercado seguirá digerindo o noticiário eleitoral, com destaque para as pesquisas de intenção de voto para a Presidência no segundo turno. Na segunda-feira, será conhecida a pesquisa Ibope. Na agenda doméstica, estão previstos indicadores do setor de serviços e o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central. Na Bolsa, haverá vencimento de opções sobre ações na segunda-feira.

No exterior, as atenções estarão voltadas a possíveis novidades sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Ao longo da semana, será divulgada uma bateria de indicadores do país asiático, entre eles o PIB e de inflação. "O PIB chinês do terceiro trimestre deverá ser divulgado junto com os dados de produção industrial, investimentos em ativos fixos e vendas no varejo de setembro. Esses dados serão bastante relevantes para mensurar a intensidade da desaceleração em curso", disseram os economistas do Bradesco, em relatório.

Nos Estados Unidos, o destaque é a publicação da ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (banco central americano), do último dia 26.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.