Câmbio na China deve se valorizar, dizem O'Neill e Fraga

Economista do Goldman Sachs avalia que a prioridade da política econômica chinesa é controlar a inflação local

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 13h34

O economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jim O'Neill, e o sócio fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, acreditam que a moeda chinesa, o yuan, tende a se valorizar no futuro. De acordo com O'Neill, a taxa de câmbio chinesa já cresceu 20% nos últimos cinco anos e está "perto do valor justo". Ele considera que "as pessoas do Ocidente estão exagerando a questão da taxa de câmbio chinesa".

 

O economista do Goldman Sachs avalia que a prioridade da política econômica chinesa é controlar a inflação local e, por isso, a tendência é que as autoridades naquele país ofereçam mais flexibilidade à taxa de câmbio. Segundo ele, os chineses pensam no futuro em termos muito mais longos do que os ocidentais.

 

No mesmo sentido, Armínio Fraga considera que gradualmente a China terá uma moeda forte. "Até para que possam ter um instrumento de política monetária tradicional, que hoje, eles não têm", disse. Fraga disse não ver a China tendo como referência o dólar no futuro. "Todos os países que se desenvolveram viram suas moedas se fortalecerem ", afirmou.

 

O'Neill observou ainda que as mudanças no câmbio na China precisam ser vistas como boas para o povo chinês e não como algo para ajudar o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, ou Bruxelas (sede administrativa da União Europeia). De acordo com ele, "não ajuda nada quando Bruxelas ou Washington fazem tanto ruído com a taxa de câmbio chinesa".

 

Os dois economistas participaram do seminário "Uma agenda para os Brics", no Rio de Janeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
CâmbioChinaJim O'NeillArmínio Fraga

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.