Câmeras digitais passam a ser feitas no País e preço diminui

O mercado brasileiro de câmeras fotográficas digitais ganha escala, o que justifica a produção local e derruba preços. Ontem, a Kodak anunciou a montagem do modelo Easyshare C360 em Manaus. A máquina, que saía por R$ 1,3 mil ano passado, passou a custar R$ 900 com a fabricação no Brasil. "Repassamos para o consumidor a vantagem da Zona Franca", afirmou Fernando Bautista, diretor-geral da Divisão de Fotografia da Kodak Brasileira. "O Brasil é o único País autorizado pela matriz a montar máquinas fora da China."A Sony foi pioneira na fabricação de câmeras digitais em Manaus. Segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), existem quatro empresas com autorização. Somente duas estão produzindo: a Sony e a Jabil, para quem a Kodak terceirizou a montagem de suas máquinas. A Elgin, distribuidora das máquinas Canon, e a Flex também têm projetos aprovados, mas ainda não começaram a fabricar as câmeras digitais.Ano passado, foram vendidos 2 milhões de câmeras digitais no País, o dobro de 2004. Para este ano, a previsão é de cerca de 3 milhões de unidades. Em outubro de 2004, 34% dos lares brasileiros tinham câmeras com filme e 2,4% câmeras digitais. Em 2007, 19,5% devem ter máquinas digitais."O digital está rompendo barreiras do passado no mercado de fotografia", disse Richard Ford, diretor de Captura Digital para as Américas da Kodak. "Como fez há alguns anos com a música." Ele citou como exemplo o sucesso do iPod, tocador de música digital da Apple, que fez com que as pessoas se acostumassem com a música sem o suporte de disco ou fita.Em 2005, as vendas de câmeras digitais ultrapassaram pela primeira vez as de máquinas com filme no Brasil. No entanto, 70% do faturamento da Kodak Brasileira ainda vem da tecnologia convencional e o restante, do digital. No exterior, o digital já se igualou ao filme. "Hoje, o consumidor pode compartilhar a foto sem imprimir, o que não era possível com o filme e faz uma diferença quântica na indústria", afirmou Bautista.A Kodak faz um esforço de popularização da câmera digital com a queda de preços. Até mesmo os modelos importados tiveram uma queda de 15% a 20% no valor.Ao lado disso, quer fazer com que as pessoas se acostumem a imprimir a foto digital. "Queremos mostrar ao mercado que imprimir fotos digitais não é complicado nem caro", apontou o diretor de Fotografia da Kodak. A C360, fabricada em Manaus, vem com uma promoção em que o consumidor paga a impressão de 30 fotos digitais e ganha mais 70.A foto digital mudou os hábitos das pessoas. "Elas clicam e salvam quatro vezes mais fotos com o digital", afirmou Ford, que, apesar do nome, é brasileiro. "Antes as pessoas tinham dificuldade para achar as fotos convencionais guardadas na caixa de sapatos. Hoje, com cinco vezes mais fotos gravadas no computador, pode ser ainda mais difícil." A Kodak vê aí uma oportunidade, e procura conquistar mercado com o sistema Easyshare, que inclui as câmeras, impressoras domésticas e software de tratamento e organização de imagens.Para enfrentar as mudanças trazidas ao mercado pelo digital, a Kodak tem fechado parcerias estratégicas. Uma delas foi com o Skype, a empresa mais famosa de telefonia via internet. "O cliente pode enviar um álbum de fotos para alguém e contar a história dele via VoIP", disse Ford. VoIP é a sigla em inglês de voz sobre protocolo de internet.Outra parceria foi com a fabricante de celulares Motorola. "Todas câmeras digitais e celulares com câmera têm patentes da Kodak", disse Bautista.O objetivo do acordo é facilitar a impressão de fotos tiradas pelo celular. O acordo ainda não está sendo aplicado no Brasil.

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