Canonização de frei Galvão tem efeito inusitado nos juros

Que a visita do papa Bento XVI ao Brasil, marcada para o dia 9 de maio, provocará mudanças na rotina da cidade de São Paulo, todo mundo já espera. Mas que a vinda do pontífice teria influência sobre o mercado financeiro, ainda que indiretamente, isso é inusitado. Ontem, chamou a atenção dos especialistas o forte movimento registrado pelo contrato futuro de depósito interfinanceiro (DI), negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com vencimento em julho de 2007. Foram registrados 347 mil contratos, volume excepcional para um DI de curto prazo. Uma das razões para esse movimento, segundo profissionais, tem um fundo religioso: a canonização de frei Galvão, que o papa consumará em sua visita ao Brasil. Frei Galvão será canonizado no dia 11 de maio, uma sexta-feira, em missa a ser realizada no Campo de Marte, em São Paulo. Em homenagem ao primeiro santo brasileiro, foi enviado à Comissão de Educação do Senado projeto de lei que prevê a criação de feriado nacional nessa data. O projeto, que foi aprovado na terça-feira passada pela comissão do Senado, vai agora à Câmara dos Deputados. Mas, desde já, o mercado financeiro enxergou nesse fato a possibilidade de haver uma mudança na conta de dias dos certificados de depósito interbancário (CDIs) no mês de maio, o que provoca impacto direto no DI de julho de 2007, o contrato de DI futuro mais líquido próximo deste período. Um CDI a menos significaria, nos cálculos dos operadores, um custo menor de carregamento e justificaria, portanto, uma redução na taxa do contrato de julho de 2007. Operadores afirmam que parte do movimento observado neste DI foi provocada por investidores que consideraram adequado corrigir essa taxa. O DI não mostrou, no entanto, uma queda expressiva. Isso se explica, segundo esses profissionais, porque houve outro forte movimento neste contrato ontem, no sentido oposto. Uma grande instituição estrangeira teria zerado sua posição vendida no contrato, resultando na redução em 115 mil do número de contratos em aberto desse DI. Esse player estrangeiro teria montado uma grande posição há algumas semanas, apostando que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderia acelerar o ritmo de corte de juros. Como essa hipótese ficou praticamente descartada, a instituição teria esperado um bom momento para zerar sua posição - o que aconteceu ontem, com a demanda vendedora que o "efeito Frei Galvão" provocou no mercado.

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