Canuto substitui Paulo Nogueira no FMI

O governo brasileiro deverá mudar seu representante no Fundo Monetário Internacional (FMI). O conselheiro sênior do Banco Mundial, Otaviano Canuto, será o substituto do economista Paulo Nogueira Batista, atual diretor executivo pelo Brasil e dez outros países no Fundo. De acordo com fontes consultadas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o destino de Batista deverá ser o Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelo grupo Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

LORENNA RODRIGUES E CLÁUDIA TREVISAN, Estadão Conteúdo

02 Maio 2015 | 08h15

Anunciado no ano passado, o banco terá sede em Xangai, na China. O primeiro presidente será indiano e um brasileiro ocupará o comando do conselho de administração.

Canuto está no Banco Mundial desde 2004. Seu nome chegou a ser cotado para substituir Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda no fim do ano passado. Ele acabou preterido pela presidente Dilma Rousseff, que escolheu Joaquim Levy para dar uma sinalização de austeridade ao mercado. Mais tarde, Canuto também foi cotado para o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas Dilma optou por manter Luciano Coutinho no posto.

Perfil

Paulo Nogueira Batista foi indicado como representante no FMI em 2007 pelo ex-ministro Guido Mantega, de quem é próximo. Economista de posição mais heterodoxa, tem perfil oposto ao do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a quem cabe a indicação ao cargo.

Em seu período no fundo, Batista foi ferrenho defensor de reformas para dar maior participação aos países emergentes na instituição.

Acumulou polêmicas durante sua passagem pelo cargo. Em 2013, se absteve na votação de liberação de novos recursos para a Grécia, à revelia do governo brasileiro. Na época, Mantega teve de sair em defesa de Batista e dizer que ocorreu um "erro de comunicação" entre a pasta e o representante brasileiro.

Em 2010, demitiu a diretora executiva adjunta no Fundo Monetário, a colombiana Maria Inés Agudelo, episódio que levou o governo da Colômbia a pedir explicações ao Palácio do Planalto.

Batista foi professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ocupou o cargo de secretário especial de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e de assessor para Assuntos de Dívida Externa do Ministério da Fazenda nos anos 1980.

Foi ainda chefe do Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional da FGV e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Canuto foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda entre 2002 e 2003. É doutor em Economia pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Em seus últimos artigos, Canuto tem defendido temas como políticas de distribuição de renda e desigualdade de renda e maior inserção do Brasil no mercado internacional. Procurado para comentar as mudanças, o Ministério da Fazenda não respondeu até o fechamento desta edição. A reportagem não conseguiu contato com Batista e Canuto.

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