Captações brasileiras com bônus superam US$ 10 bi

Vale, CSN, Gerdau, Telemar Norte Leste e Itaú Unibanco - captaram recursos com colocações de US$ 1 bilhão ou montante levemente superior

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

30 de setembro de 2010 | 18h29

As companhias do setor privado brasileiro captaram US$ 8,860 bilhões em recursos no exterior em setembro, apresentando aos investidores asiáticos, europeus e norte-americanos uma série de operações que haviam ficado represadas pelas férias de agosto no Hemisfério Norte. Em agosto, apenas o Bradesco foi ao mercado externo com uma operação de US$ 1,1 bilhão. Em julho, as empresas privadas captaram US$ 4,36 bilhões por meio da emissão de bônus.

O número de operações sobe para US$ 9,410 bilhões em setembro, quando incluída a operação da República do Brasil de US$ 550 milhões, a partir da reabertura dos bônus soberanos com vencimento em 2041, e para US$ 10,431 bilhões se for contabilizada a captação de 750 milhões de euros (US$ 1,021 bilhão) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Cinco empresas (Vale, CSN, Gerdau, Telemar Norte Leste e Itaú Unibanco) captaram recursos com colocações de US$ 1 bilhão ou montante levemente superior. O número contrasta com apenas duas emissões (CSN e Bradesco) nesse montante entre março a agosto. Foi também comum em setembro emissores captando montantes superiores ao inicialmente planejado, diante da acentuada demanda pelos títulos brasileiros.

A Gerdau, por exemplo, obteve demanda de US$ 4,5 bilhões por seus bônus com vencimento em 2021, numa operação fechada em US$ 1,25 bilhão, no dia 23. A Braskem, no último dia 27, concluiu uma captação de US$ 450 milhões em bônus perpétuos, após atrair demanda de US$ 2 bilhões, segundo uma das instituições que participaram da oferta aos investidores estrangeiros. A CSN viu US$ 7 bilhões em demanda por seus bônus perpétuos e captou US$ 1 bilhão no último dia 16.

Em setembro também reapareceram as emissões de bônus perpétuos. Nesta última semana do mês, Braskem, Votorantim Cimentos e a BR Properties chegaram ao mercado com bônus sem data de vencimento, num total estimado de US$ 1,150 bilhão. Antes deles, apenas a Globo havia lançado bônus perpétuos em 2010, numa operação de US$ 325 milhões.

A operação da BR Properties, por sua vez, é vista por alguns no mercado como sinal da entrada de empresas de segunda linha no mercado de captações externas. Hoje, a companhia que atua no segmento imobiliário comercial fechou sua primeira operação de emissão de dívida no exterior, colocando US$ 200 milhões em bônus perpétuos.

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