Cargill compra 63% da destilaria Cevasa, em SP

O empresário Maurílio Biagi Filho confirmou hoje a conclusão da venda à multinacional Cargill dos 63% da destilaria Central Energética do Vale do Sapucaí (Cevasa), capital de sua propriedade. O negócio foi iniciado em dezembro do ano passado e só foi definido agora, de acordo com o empresário.Com a compra da destilaria, localizada em Patrocínio Paulista (SP), a Cargill ratifica a entrada na produção de álcool no Brasil, após a fracassada tentativa de compra da Corona, no ano passado, e de ao menos outras duas tentativas de negócios não revelados. O capital restante da Cevasa (37%) continuará pertencente à Canagril, um pool de 17 fornecedores de cana-de-açúcar que agora será sócio da Cargill. A multinacional ainda não se manifestou sobre o assunto, mas, segundo o próprio Biagi, estaria comunicando o negócio hoje, em sua sede, na capital paulista.É certo, no entanto, que após a compra a Cargill investirá na ampliação da usina e no início da produção de açúcar. A Cevasa deve processar, em 2006/2007, 1,4 milhão de toneladas de cana-de-açúcar e produzir entre 130 e 140 milhões de litros de álcool. Tem capacidade ainda de produzir 4 mil Kw/hora de energia elétrica em co-geração."A Cevasa é a única unidade produtora na região de Ribeirão Preto que pode triplicar sua capacidade de processamento", salientou Biagi, que dará mais detalhes sobre a venda amanhã pela manhã em seu escritório, Ribeirão Preto (SP). "Foi um negócio extremamente positivo, bom para as três partes, pois pereniza o negócio com a entrada de um capital intensivo que dará força aos produtores", afirmou Biagi.Para Tarcilo Ricardo Rodrigues, diretor da corretora Bioagência, a confirmação da entrada da Cargill no mercado é emblemática. "Esse negócio é apenas o começo de quem não quer ficar só com isso. Vem mais por aí", disse Rodrigues.O executivo classifica ainda a entrada da Cargill no mercado de produção de açúcar e álcool como uma "segunda onda" no setor. "A primeira onda foram as fusões, aquisições e as novas usinas; a segunda é a consolidação de grupos estrangeiros, como Tereos e Coinbra", disse. "A terceira e próxima é a entrada das grandes companhias petrolíferas", concluiu Rodrigues.

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