Casas Bahia projeta aumento de 10% nas vendas em 2007

A Casas Bahia, a gigante do varejo de móveis e eletrodomésticos, encerrou o ano passado repetindo o faturamento e o lucro de 2005 e traça planos mais modestos para este ano. Em 2006, a rede vendeu R$ 11,5 bilhões e lucrou R$ 200 milhões. É a primeira vez desde 2000 que a companhia não amplia as vendas de um ano para o outro.O faturamento ficou abaixo da meta inicial que era atingir R$ 13,5 bilhões, posteriormente ajustada para R$ 12 bilhões. O número de abertura de novas lojas também foi revisado para baixo: o objetivo inicial era abrir 100 pontos-de-venda, mas a rede inaugurou a metade. A freada na expansão provocou queda no faturamento por loja. Em 2005 havia sido de R$ 22,8 milhões e, no ano passado, fechou em R$ 21,2 milhões.Diante dessa correção de rota ocorrida no terceiro trimestre do ano, a rede está mais cautelosa para este ano. A expectativa é vender R$ 12,5 bilhões, cerca de 10% a mais do que em 2006, com a abertura de 50 lojas. Entre 2000 e 2005, a receita de vendas da companhia cresceu, em média, 25% ao ano.O diretor administrativo-financeiro da rede, Michael Klein, não se diz frustrado com os resultados da empresa em 2006. Ele argumenta que se os próprios varejistas de alimento, que é um gênero de primeira necessidade, não conseguiram ampliar as vendas no ano passado, não era possível esperar que os negócios com eletrodomésticos, o segundo item na lista de compras do consumidor, tivesse crescido.?Vou aguardar a divulgação dos dados da Abinee e da Eletros (associações dos fabricantes de eletroeletrônicos) para saber se houve uma ampliação do mercado e se realmente alguém cresceu?, diz Klein. Ele diz, no entanto, que gostaria que as vendas tivessem aumentado. Mas pondera que os resultados são satisfatórios: ?As vendas de 2005 foram muito boas e repetir esse desempenho em 2006 também foi muito bom?.Para este ano, ele acredita que o crescimento de 10% nas vendas será sustentado em parte pelas taxas de juros mais baixas. ?Com isso, mais pessoas terão acesso ao crédito.?Além disso, ele observa que o impulso dado à construção civil desde o ano passado deve ampliar as vendas não apenas de imóveis, mas também dos eletrodomésticos e móveis para as novas residências. ?Quando a construção vai bem, o ano seguinte é dos eletrodomésticos.?Klein trabalha com a perspectiva de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 5% em 2007 e diz que o ano começou bem. O ritmo de vendas registrado até agora dá indicações de que a meta de crescimento de 10% é factível por enquanto.Ao contrário do ano passado, as 50 novas lojas anunciadas já estão com contratos assinados. ?É o que a gente tem certeza que será feito?, diz Klein. Ele ressalta que a sua empresa não pode criar expectativas de abrir lojas e frustrar os trabalhadores. ?Ao invés de crescer 100 lojas por ano, vamos abrir 50, mas sem fechar nenhuma.? Em 2006, foram fechadas 12 lojas e demitidos 2 mil trabalhadores.O investimento nos 50 novos pontos-de-venda para este ano soma R$ 50 milhões, a mesma cifra de 2006. A previsão é contratar 2 mil pessoas. O foco será Minas Gerais, onde serão abertas 14 lojas, e São Paulo, com 17 lojas, sobretudo na periferia.Além da redução no ritmo de crescimento, 2006 foi marcado pela entrada dos netos de Samuel Klein, fundador da rede, no dia a dia do negócio. Rafael, de 29 anos, filho de Michael, passou a cuidar da propaganda. Philip, de 17 anos, filho de Saul Klein, trabalha em compras. ?Meu pai já determinou a sucessão. Vamos dar continuidade aos negócios?, diz Michael.

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