JOSÉ PATRICIO/ESTADÃO
JOSÉ PATRICIO/ESTADÃO

Dólar fecha em alta de 1%, cotado a R$ 3,94

Influenciada pela discussão em torno da meta fiscal, a moeda chegou a valer R$ 3,96 durante o pregão desta quarta-feira

Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2015 | 11h44

Atualizado às 17:03

SÃO PAULO - O dólar encerrou esta quarta-feira cotado a R$ 3,94, em alta de 1%, o maior nível desde 1º de outubro. Foi a quarta alta seguida, período em que acumulou 3,82%. Na mínima do dia, a moeda marcou R$ 3,91 e, na máxima, R$ 3,96. No mês, acumula baixa de 0,73% e, no ano, alta de 48,59%. 

O dólar operou em alta durante toda a sessão desta quarta, influenciado pelo exterior e também pela discussão em torno da meta fiscal. A junta orçamentária se reuniu nesta tarde para decidir qual será a nova meta deste ano, já que as receitas previstas não serão atingidas. Além disso, o governo tem a incumbência imposta pelo Tribunal de Contas da União de zerar a conta das pedaladas, algo em torno de R$ 40 bilhões. Com tudo isso, os cálculos que circulam no mercado são de que o déficit fiscal poderia atingir algo em torno de R$ 70 bilhões neste ano. 

A leitura no mercado cambial é de que se o governo rever a meta fiscal deste ano e projetar forte déficit crescem os riscos de perda do grau de investimento pelo Brasil. A eventual mudança de meta para 2016 também é tema delicado no mercado. O governo pretende manter a previsão de superávit de 0,7% do PIB, número que contabiliza a CPMF. Nesta tarde, no entanto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já avisou que o Brasil não vai ter "Natal com CPMF".

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer parcelar a fatura das pedaladas. O temor é de que o pagamento à vista antecipe o rebaixamento brasileiro que, assim, perderia o investment grade por uma segunda agência de rating. Mas os auditores do TCU e alguns ministros da Corte dizem ser impossível o parcelamento e a decisão final pode ser a de que a conta terá que ser paga de uma única vez. Governo e TCU, agora, negociam o que deverá ser feito. E tudo deve ser definido até sexta-feira, que é quando o governo espera ter definida a nova meta. 

No exterior, dados mostrando a desaceleração das exportações do Japão voltaram a colocar no foco as preocupações com a China, um dos principais importadores de produtos japoneses. Isso penalizou as moedas de países emergentes e exportadores de commodities desde cedo, incluindo o real. 

Bolsa. Assim como no dólar, a discussão sobre a meta fiscal e o pagamento das pedaladas do governo pesaram sobre as ações, o que fez com que a Bovespa fechasse em queda de 0,11%, aos 47.025,86 pontos. No mês, acumula alta de 4,37% e, no ano, perda de 5,96%. O giro financeiro totalizou R$ 5,410 bilhões. 

A Petrobrás foi um dos destaques negativos do pregão. A ação ON recuou 3,16% e a PN, 3,73%, depois que o petróleo para dezembro negociado na Nymex caiu 2,35%, a US$ 45,20 o barril. Além disso, o presidente da Petróleo Pré-Sal SA (PPSA), Oswaldo Pedrosa, disse nesta quarta que o pré-sal se torna inviável com os níveis atuais de preços da commodity. Para ele o preço de equilíbrio teria que estar em US$ 55. 

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