José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Cautela com eleição faz Bolsa cair 0,91%; dólar fecha a R$ 4,03

Dia no mercado de ações foi de espera com noticiário eleitoral; dólar corrigiu alta de sexta-feira, 28

Karla Spotorno e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 13h55
Atualizado 01 Outubro 2018 | 17h38

A última semana antes do primeiro turno da eleição no Brasil começou com queda de 0,91% na Bolsa, que fechou o dia a 78.623,66 pontos. O dólar também caiu, fechando cotado a R$ 4,0299, em baixa de 0,52%. Os negócios com ações foram afetados por realização de lucros e pela persistência da cautela dos investidores com a proximidade do pleito e percepção de que num prazo curto há pouco espaço para alteração do quadro que indica um segundo turno formado pelos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), e a tendência de alta do petista preocupa.

Na avaliação de profissionais de renda variável, a reta final da corrida eleitoral explica não apenas o acautelamento dos investidores, mas o nível mais alto de volatilidade dos ativos. As perdas do Ibovespa ocorreram em um dia atípico, com dólar fraco e em linha com algumas pares emergentes. Também os índices de ADRs de empresas brasileiras negociadas nas bolsas americanas recuavam em contraposição à subida da maioria dos ativos por lá.

Numa semana de muitas pesquisas de intenção de voto, operadores aguardam a possibilidade de moderação do discurso do candidato petista Fernando Haddad. "Não interessa a nenhum candidato assumir um governo com estresse no mercado. Começa num clima muito ruim", nota um profissional do mercado financeiro.

O dólar, no exterior, tem sinais mistos ante divisas emergentes e sobe perante a maioria das desenvolvidas. Com a conclusão da revisão do Nafta, as moedas do Canadá e do México sobem desde cedo perante o dólar americano.

Mesmo na mínima, a moeda americana não devolveu todo o ganho da última sessão, quando fechou em alta de 1,34% acima dos R$ 4,05. "O dólar precificou na sexta as pesquisas [eleitorais]", diz um operador do mercado de câmbio, referindo-se aos levantamentos do Datafolha e da CNT/MDA divulgados entre sexta, 28, e sábado, 29, e que confirmaram a polarização entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

Sem uma maior clareza sobre quem assumirá o posto no Palácio do Planalto e como será o governo do presidente eleito, o investidor sinaliza que o momento exige uma postura cautelosa e segue alerta a novidades sobre a corrida presidencial.

Nesta segunda-feira, 1, à noite, o Ibope divulga pesquisa de intenção de votos.

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