Cautela impõe pressão de alta a juros futuros no final do pregão

Em dia de fluxo reduzido e sem dados relevantes, postura defensiva foi adotada diante da agenda da próxima semana

Denise Abarca, da Agência Estado,

26 de março de 2010 | 17h23

Diante da agenda doméstica sem indicadores de peso, o mercado de juros continuou digerindo as mensagens da ata do Copom. As taxas futuras oscilaram entre margens estreitas, com os contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) de curto prazo perto da estabilidade e os DIs longos em baixa. Ao final do dia, no entanto, uma nuvem da cautela se instalou sobre as mesas de renda fixa e os DIs ficaram levemente pressionados.

 

Ao término da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI com vencimento em junho de 2010 (26.820 contratos negociados) estava na máxima de 8,94% ao ano, ante 8,93% ontem; o DI de julho de 2010 (228.990 contratos negociados) projetava taxa de 9,18% ao ano, de 9,16% ontem; o DI de janeiro de 2011 (272.730 contratos) subia a 10,39% (máxima), de 10,36% ontem; o DI de janeiro de 2012 (59.535 contratos) mostrava estabilidade, em 11,70%; e o DI janeiro de 2014 (9.395 contratos) avançava a 12,13%, de 12,11% ontem.

 

Segundo operadores, o pregão teve um fluxo pequeno e quase nada a guiar os negócios, mas no final uma postura mais defensiva se apoderou do mercado diante da agenda da próxima semana. O destaque será o relatório trimestral de inflação que o Banco Central divulga até quarta-feira e que deve complementar as afirmações da ata do Copom, explicando em números as preocupações com o cenário inflacionário. Também a pesquisa Focus, que o BC publica na segunda-feira, é motivo de apreensão, uma vez que o levantamento vem trazendo piora nas expectativas de IPCA há várias semanas.

 

Além dos eventos da agenda, na semana que vem haverá finalmente uma definição sobre eventual mudança na diretoria do Banco Central. O presidente da instituição, Henrique Meirelles, informará nos próximos dias se deixará ou não o comando do BC para eventualmente concorrer às eleições. O prazo legal para desincompatibilização de cargos públicos de eventuais candidatos à eleição é 3 de abril. Mas os ministros que serão candidatos nas próximas eleições deverão deixar os cargos no dia 31 de março.

 

Pela manhã, a CNI divulgou a Sondagem Industrial, que apontou que a produção industrial em fevereiro manteve-se estável em relação a janeiro, mas não chegou a fazer preço. O indicador de evolução da produção no mês passado ficou em 50,8 pontos, ante os 49,2 pontos registrados no mês anterior. Para a CNI, mesmo tendo superado a linha de 50 pontos, "o índice manteve-se muito próximo a ela, o que denota estabilidade da produção". A pesquisa mostrou ainda que, em fevereiro, o índice de utilização da capacidade instalada (UCI) ficou em 48,9 pontos em fevereiro ante 48,3 pontos em janeiro.

 

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