Cenário externo atrai as atenções

A expectativa com a evolução dos juros americanos tende a continuar influenciando a direção do mercado financeiro esta semana. As incertezas alimentadas pelo comunicado do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) após o encontro que definiu mais um aumento de 0,25 ponto porcentual no juro de curto prazo americano, que subiu para 5% ao ano na semana passada, são agravadas pela perspectiva de alta dos juros também na Europa e no Japão. Está em curso um processo de realocação na carteira de moedas nos mercados mundiais, movido por essa expectativa, avalia Alexandre Lintz, estrategista-chefe do banco BNP Paribas Brasil. "Há uma movimentação de moedas nos mercados internacionais em função do crescimento forte da economia mundial, com risco de pressão inflacionária no futuro e elevação dos juros de longo prazo." Ele lembra que o ciclo de alta dos juros nos EUA - foram 16 elevações consecutivas - ainda não produziu efeito na contração da liquidez, portanto não explicitou toda pressão sobre os juros internacionais. Tanto quanto os indicadores americanos de inflação e de atividade econômica, um evento importante para clarear o cenário de juros externos, segundo Lintz, é a reunião do banco central do Japão, na sexta-feira. A expectativa é que nesse encontro o presidente do banco, Toshihiko Fukui, acene com o início de alta do juro japonês, de zero por cento no momento, já a partir de junho ou em agosto, como estimam os mercados. O estrategista-chefe do banco BNP Paribas não descarta a continuidade de correção dos mercados domésticos estimulada por expectativas com o cenário externo. No caso do dólar, ele diz que o Banco Central (BC) poderá reduzir o volume de compra de moeda americana para evitar maiores pressões sobre a cotação durante esse período de ajuste. O dólar acumulou valorização de 4,33% na semana passada, puxado, além da tensão externa, pelas fortes compras do BC. A previsão é que os dados sobre o fluxo cambial, que saem na quarta-feira, indiquem a compra de US$ 3,9 bilhões no mês, até dia 12, comparados ao fluxo cambial de apenas US$ 1,2 bilhão no período. "O BC comprou muito além dos dólares que entraram, daí a alta." Os indicadores de maior destaque desta semana nos EUA são o índice de preços ao produtor (PPI) de abril, que será divulgado amanhã, e o índice de preços ao consumidor (CPI), também de abril, na quarta-feira. Para Lintz, o CPI é o dado-chave que vai mostrar a quantas anda a inflação americana.

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