José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Com mercado atento ao Fed, Bolsa cai 0,85% e dólar sobe 0,22%, para R$ 3,56

Possibilidade de que os Estados Unidos promovam um aumento de juros já em junho manteve os investidores em alerta; ações da Petrobrás caem mais de 4%

Fabrício de Castro e Paula Dias, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2016 | 12h23

SÃO PAULO - A possibilidade de que os Estados Unidos promovam um aumento de juros já no mês de junho manteve os investidores em alerta nesta quinta-feira. O resultado foi uma queda de 0,85% na Bovespa (aos 50.132,53 pontos) e alta de 0,22% do dólar, que fechou cotado a R$ 3,5672 no mercado à vista.

A sinalização feita ontem pelo Federal Reserve, o BC norte-americano, de que poderá elevar os juros locais no curto prazo foi reforçada hoje pelo discurso do presidente do Fed de Nova York, William Dudley, e pela queda no número de pedidos de auxílio-desemprego no país. Em reação aos sinais de aperto monetário nos Estados Unidos, o dólar se fortaleceu frente às demais moedas, uma vez que o mercado americano torna-se mais atrativo com juros mais altos.

Dudley, que vota nas reuniões de política monetária do Fed, afirmou hoje que a instituição pode elevar os juros em meados deste ano. "Se estou convencido de que minha previsão está nos trilhos, então penso que um aperto neste verão, no intervalo entre junho e julho, é uma expectativa razoável", afirmou. Além disso, o número de pedidos de auxílio-desemprego caíram 16 mil na última semana, num novo sinal de fortalecimento da economia americana.

Neste cenário, o dólar à vista marcou a máxima de R$ 3,6189 (+1,67%) às 12h47. A tendência começou a mudar com o petróleo, que desacelerou suas perdas em Londres e em Nova York. O movimento foi justificado pelos relatos de que trabalhadores de um terminal da ExxonMobil na Nigéria haviam sido retirados de suas funções devido a um ato criminoso. Além disso, uma greve de trabalhadores nas refinarias francesas da Total deu suporte aos preços dos barris.

O resultado foi a virada do dólar para o negativo ante várias divisas de emergentes no exterior. No Brasil, a moeda americana à vista também perdeu força, mas se manteve no terreno positivo.

No mercado de ações, o receio é de uma migração de recursos da renda variável para a renda fixa americana, a partir da elevação das taxas de juros locais, que torna esses investimentos mais competitivos. "Além da questão do fluxo de recursos, uma alta de juros nos EUA tende a elevar um pouco o custo de captação das empresas, tanto daquelas que já emitiram como para emissões novas. Isso também pesa para a Bolsa", disse Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital.

As ações da Petrobrás estão entre as mais sensíveis ao aperto monetário nos EUA. Em um dia em que os preços do petróleo fecharam perto da estabilidade, Petrobras ON fechou em queda de 4,16% e Petrobrás PN recuou 3,86%. As ações da Vale oscilaram ao sabor da variação dos índices de metais e das ações de outras mineradoras pelo mundo. No mercado chinês, o minério de ferro teve queda de 0,4%. Ao final do dia, as ações da companhia fecharam com sinais mistos, com Vale ON em alta de 1,22% e Vale PNA em baixa de 1,00%.

 

 

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