Nelson Antoine/AP
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Cenário político incerto faz Bolsa cair 1,75%

Ibovespa terminou o pregão desta segunda-feira, 16, aos 82.861,57 pontos após divulgação de pesquisa para presidente; alta acumulada do dólar reflete saída de investidor estrangeiro

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2018 | 13h32
Atualizado 16 Abril 2018 | 22h35

A falta de previsibilidade para as eleições deste ano, somada a um menor otimismo em decorrências da fragilidade do crescimento econômico, levou o Ibovespa (principal índice da Bolsa) a fechar nesta segunda-feira abaixo dos 83 mil pontos, nível que não se via desde fevereiro. Em sentido oposto à trajetória de alta das bolsas no exterior, o índice caiu 1,75%, aos 82.861,57 pontos.

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O comportamento da Bolsa brasileira destoou dos índices acionários em Nova York, que subiram com a leitura de que o ataque americano a alvos na Síria na última sexta-feira foi pontual e de que a tensão geopolítica não deve se agravar por ora. 

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Por aqui, os investidores ainda digeriam os números da pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, que mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda na liderança das intenções de voto, mesmo após sua prisão, e a ascensão de Marina Silva e Joaquim Barbosa, enquanto Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles, mais alinhados às reformas, não decolam. 

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“O mercado sente que as boas notícias estão acabando”, avalia o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. “O investidor já tinha visto a reforma da Previdência ser enterrada e agora sente que o governo tem poucas chances de privatizar a Eletrobrás.”

Para Perfeito, além de o mercado desconfiar que os nomes mais bem posicionados na pesquisa eleitoral tenham pouco comprometimento com a continuidade da agenda de reformas do governo Temer, eles podem enfrentar dificuldades em lidar com o Congresso ano que vem.  “A gente tem uma crença de que quem quer seja eleito irá fazer alguma reforma. Mas não é bem assim, tudo é incerteza”, diz o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman.

De acordo com analistas, outro agravante é o menor otimismo dos investidores, que estava pautado na expectativa de maior crescimento econômico, que tem se revertido. 

“O consumo está muito mais fraco do que se esperava, pela obstrução do canal do crédito. Os preços dos ativos também estavam sobrevalorizados”, diz José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB).

Estrangeiros. A instabilidade política tem se refletido no dólar, que, apesar de ter encerrado em baixa, de 0,42%, cotado R$ 3, 4118, já subiu 7% neste ano, refletindo a saída do investidor estrangeiro do País. Segundo o Banco Central, até a primeira semana de maio, R$ 8,5 bilhões deixaram o Brasil.

Para o economista Gustavo Cruz, da XP Investimentos, além do cenário político, as elevações da taxa de juros nos Estados Unidos também estão fortalecendo a moeda americana. Ele afirma, porém, que o real não deve ficar muito volátil nos próximos meses, pois o Banco Central poderá intervir.

Já o economista Silvio Campos, da Tendências, afirma que o real poderá passar de R$ 3,50 diante da turbulência política. “Isso pode ocorrer se ganhar favoritismo um candidato menos favorável às reformas.”

Na avaliação de Sylvio Castro, da área de investimentos do private banking do Credit Suisse Hedging-Griffo, a saída dos estrangeiros da Bolsa ocorre após um período de ganhos aqui. “O investidor estrangeiro está fazendo uma pausa tática.”/ Douglas Gavras, Luciana Dyniewicz, Simone Cavalcanti e Ana Paula Ragazzi

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