Chegamos ao fim do aumento dos juros nos EUA?

Balanço Junho de 2006 1º- Os títulos indexados ao IGP-M, com o IGP-M de junho apresentando inflação de 0,75%, devem fechar o mês com resultados acima dos fundos de renda fixa e DI, com rendimento bruto na faixa de 1,3% a 1,6%, dependendo do prazo do papel. 2º- Os fundos de renda fixa puros devem fechar o mês com rendimento bruto na faixa de 1% a 1,35%, um pouco acima dos fundos DI, dependendo também da taxa de administração do fundo. 3º- Os fundos DI devem fechar o mês com rendimento bruto também na faixa de 0,95% a 1,3%, dependendo da taxa de administração do fundo. 4º- A Bovespa teve alta de 0,27%. 5º- O dólar comercial caiu 6,8%. 6º- O euro apresentou baixa de 6,99%. 7º- O ouro registrou forte baixa de 13,31%. A apreensão e a incerteza continuaram a afetar os mercados mundiais. Como conseqüência a maioria das bolsas mundiais caíram, ao longo do mês, com o temor de uma alta dos juros americanos além dos 5,25% ao ano. Esse fato se acentuou com o aumento de juros por parte de vários bancos centrais ao redor do mundo, inclusive o europeu. No dia 28/06, o mercado, à primeira vista, viu com otimismo este último aumento de 0,25%, elevando a taxa de juros americana para 5,25% ao ano, em razão do teor bem mais ameno da ata divulgada pelo FED; desse modo as bolsas subiram fortemente logo após a sua divulgação. Apesar dessa recente melhoria, o mercado internacional espera um sinal mais claro do Federal Reserve sobre como será sua política de juros nos próximos meses; e além disso, seus impactos sobre o crescimento e inflação dos EUA e sobre a economia mundial. A dúvida persiste: Chegamos ao fim do aumento dos juros nos EUA? Infelizmente a incerteza deve acompanhar os mercados e a atenção continuará voltada aos rumos da economia americana: inflação, indicadores de crescimento, declarações das autoridades americanas e suas conseqüências sobre as expectativas sobre os juros nos Estados Unidos. O comportamento do preço do petróleo, também é variável importante a ser acompanhada. No lado interno, as variáveis continuam tendo pouca importância em comparação às externas, conforme vimos afirmando nos últimos meses. Os dados sobre o crescimento, reunião do Copom e a evolução das denúncias da CPI são os poucos fatores que podem vir a influenciar os mercados. Tendência Os fundos DI, continuam muito interessantes, neste momento de apreensão, pois não correm o risco da oscilação dos juros e continuam proporcionando excelente juro real. Em julho, o rendimento bruto será na faixa de 0,9% a 1,2%, dependendo da taxa de administração do fundo e da ?marcação a mercado?. Os fundos de renda fixa em junho apresentaram rendimento pouco acima dos fundos DI. Apresentam-se como boas opções de diversificação para investidores moderados e agressivos. O seu rendimento em relação aos fundos DI dependerá da política de redução dos juros implementada pelo Banco Central, se for mais agressiva do que o mercado espera, seu rendimento superará os fundos DI. O rendimento bruto em julho deverá ser similar aos fundos DI, se não houver nenhuma surpresa por parte da percepção do mercado com os juros futuros. Os títulos indexados à variação do IGP-M continuam como opções de investimento a longo prazo como diversificação de portfólio, pois esses títulos estão rendendo na faixa de 10% a 11% ao ano, mais variação do IGP-M. Com o IGPM de junho apresentando inflação de 0,75%, tiveram resultados muito acima dos fundos DI e de renda fixa. Os fundos cambiais (dólar e euro), devido à diminuição do nervosismo, tiveram mau desempenho em junho. Mantêm-se como opções para diversificação de portfólio para investidores com perfil conservador e moderado, com visão de longo prazo, caso o cenário interno e/ou externo piorem. O ouro apresentou forte recuo, de cerca de 4,8%, no mercado internacional, com a perspectiva de maior alta dos juros americanos. Ainda continua alternativa devido à incerteza do comportamento do dólar frente a outras moedas, inflação americana, alta no preço do petróleo e crise do Irã. Do mesmo modo que os fundos cambiais, continua uma opção conservadora atraente para diversificação, devido ao, ainda, baixo valor do dólar no mercado doméstico. A bolsa brasileira teve no mês, leve queda de 0,27%, após cair de forma significativa ao longo do mês, com comportamento similar ao da maioria das bolsas mundiais, em razão do temor da alta dos juros americanos. Desde o seu pico de 42.015, em maio, o Ibovespa já desvalorizou 12,8% até agora. Consideramos 32.050 pontos o valor justo para Índice Bovespa, ou seja, em termos históricos (1968 até 2006) o valor que não apresenta ágio ou deságio no preço médio das ações. Ao nível atual de 36.630 pontos, o Ibovespa apresenta ágio médio de 14,3%, podendo sofrer correção no curto e médio prazos. As bolsas mundiais, de maneira geral, tiveram, novamente, um mês ruim em junho. Por estarem, ainda, com preços inflados, poderão sofrer correção no curto e médio prazos. Por outro lado, as perspectivas de contínuo crescimento dos EUA e China são favoráveis ao bom retorno das bolsas. As opções com maior potencial de retorno são as bolsas do Japão, Áustria, França e Reino Unido (países desenvolvidos) e Malásia, Chile, Singapura e Hong Kong (países emergentes). Os imóveis comerciais mantêm-se a preços históricos baixos, embora continuem a apresentar recuperação de preços com a melhoria nas perspectivas do crescimento econômico. Boa opção para diversificação de portfólio de investidores com perfil conservador e moderado. (*) Fabio Colombo é administrador de investimentos. Foi diretor do Banco Credibanco (associado ao The Bank of New York), diretor do Continental Bank of Chicago (Brasil) e diretor do Banco CCF (Brasil).

Agencia Estado,

03 de julho de 2006 | 14h55

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