China ameaça liderança de eletrodomésticos brasileiros na Argentina

A liderança brasileira no mercado argentino de eletrodomésticos está ameaçada pela China. De acordo com um levantamento feito pela consultoria IES - Investigações Econômicas Setoriais, 78% dos eletrodomésticos importados pela Argentina entre janeiro e maio de 2006 são do Brasil e da China. A participação do Brasil nesse setor continua alta, com 40%, mas vem caindo desde 2004, quando tiveram início os acordos de cotas para os produtos brasileiros. Em 2005, a participação era de 47,5%, enquanto em 2004, mais de 50% dos eletrodomésticos consumidos pelos argentinos eram de origem brasileira.Em grande parte, esse espaço que o Brasil perdeu foi ocupado pelo gigante asiático, cujas vendas no mercado local aumentaram 271% nos primeiros cinco meses deste ano, comparado igual período de 2005. Nesse mesmo período, as compras argentinas de eletrodomésticos brasileiros cresceram só 3,7%. A substituição entre os países provedores "reduz o impacto das restrições ao comércio como ferramenta de estímulo à indústria local", afirma o relatório, confirmando o argumento utilizado pelo governo brasileiro de que as barreiras contra os produtos do Brasil "não fazem mais sentido", como disse recentemente o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.Há um mês, quando pediu ao ministro de Planejamento da Argentina, Julio De Vido, o fim das cotas para as importações provenientes do Brasil, Furlan explicou que "a autolimitação das exportações brasileiras só tem sentido se são para ajudar a recuperação da indústria argentina e não para que outros países ocupem o mercado". Atualmente, os fabricantes argentinos de eletrodomésticos, bem como os de calçados, tentam renovar os acordos voluntários de autolimitação das exportações brasileiras desse produtos.No entanto, "com esses números será muito difícil que os exportadores do Brasil aceitem restrições", afirmou um negociador brasileiro. Outro argumento que ajudará o Brasil será o de que há um forte aumento da comercialização interna de eletrodomésticos. "No primeiro quadrimestre, as vendas aumentaram 36,5%, e permitiram a absorção tanto da crescente produção local como da concorrência do exterior", destaca a fonte.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2006 | 11h56

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