China deixa bolsas europeias sem direção única

Os mercados europeus de ações começaram a primeira sessão da semana operando sem direção única. Parte das bolsas está repercutindo as preocupações com o setor imobiliário da China e a forte queda mensal da inflação da zona do euro. Por outro lado, o bom resultado do índice Ifo de sentimento das empresas da Alemanha ajuda alguns mercados a sustentar tendência positiva nesta manhã.

EDGAR MACIEL, Agencia Estado

24 de fevereiro de 2014 | 09h37

No começo da sessão, as bolsas da região abriram em queda repercutindo as preocupações com as últimas notícias do mercado imobiliário chinês. Embora a alta dos preços do setor tenha desacelerado em janeiro pela primeira vez em um ano - subiu 8,98% ante 9,17% em dezembro -, os investidores focaram na informação de que um dos maiores bancos comerciais da China, o Industrial Bank, apertou as condições de empréstimos para o setor imobiliário e indústrias relacionadas. O cenário revela um aumento dos riscos em ativos e reforça as recentes cautelas sobre o ritmo de desaceleração da economia do gigante asiático.

Já após a divulgação do índice Ifo alemão, os mercados apresentaram uma ligeira melhora e parte das bolsas começou a operar em terreno positivo. O indicador subiu para 111,3 em fevereiro, de 110,6 em janeiro. O número superou a previsão dos analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que apostava em um pequeno recuo a 110,5.

Entretanto, a tendência voltou a ser de baixa após o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro cair 1,1% em janeiro ante o mês de dezembro. Foi a maior queda mensal da série histórica iniciada em 2001, segundo a Eurostat. Na comparação anual, o CPI subiu 0,8% em janeiro, repetindo o mesmo resultado de dezembro. Os dados reforçam expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) tome novas medidas de política monetária na reunião do próximo dia 6 de março.

Mesmo com o sentimento negativo no mercado global, a Bolsa de Madri registra a maior alta da sessão, repercutindo a decisão da última sexta-feira da agência de classificação de risco Moody''s de elevar o rating dos bônus da Espanha, de Baa3 para Baa2, com perspectiva positiva. A elevação revela uma mudança na avaliação da economia espanhola, que dá sinais de melhoras e recuperação do crescimento após a crise da zona do euro.

No setor corporativo, o HSBC divulgou os resultados finais de 2013, com um crescimento de 15,5% no lucro líquido, a US$ 16,2 bilhões, ante US$ 14,03 bilhões no ano anterior. O lucro antes de impostos subiu 9,3%, a US$ 22,6 bilhões, em comparação aos US$ 20,6 bilhões de bilhões em 2012. Contudo, os valores ficaram abaixo da previsão de analistas, que esperavam lucro de US$ 24,5 bilhões.

A decepção com o balanço pressiona as ações, que chegaram a cair mais de 5% no começo do pregão. Às 9h20 (de Brasília), os papéis tinham queda de 3,52% na Bolsa de Londres. No terreno positivo, a Bunzl é destaque no mercado londrino, com alta de 5,73%, após anunciar aumento de 8% no lucro líquido de 2013.

Na Alemanha, as ações da Volkswagen registravam queda de 4,45% depois que a companhia lançou uma oferta de US$ 9 bilhões para comprar a Scania. A empresa sueca montou um comitê independente para avaliar a proposta.

No horário acima, a Bolsa de Londres recuava 0,17%, Frankfurt tinha leve alta de 0,05% e Milão estava em queda de 0,53%. Já a Bolsa de Paris ganhava 0,28%, Madri avançava 0,57% e Lisboa subia 0,47%.

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