China deve empurrar NY para baixo na abertura

Os índices futuros das bolsas norte-americanas apontam para um abertura em queda no pregão desta quinta-feira. Dados fracos da indústria na China e a possibilidade do Federal Reserve reduzir o ritmo de compras mensais nos próximos meses trazem nervosismo ao mercado e reduzem o apetite ao risco. Às 10h15 (de Brasília), o índice Dow Jones futuro perdia 0,68%, o Nasdaq recuava 0,67% e o S&P 500 tinha baixa de 1,00%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

23 de maio de 2013 | 10h30

Na China, o índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial medido pelo HSBC caiu para 49,6 na leitura preliminar de maio, em comparação com 50,4 em abril. Números abaixo de 50 indicam contração da atividade. Esse indicador, somado aos sinais mistos enviados pelo Fed ontem, provocou queda nas bolsas asiáticas. Tóquio teve o maior recuo diário em cerca de dois anos.

Nesta manhã, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), fez um pronunciamento em Londres e novamente falou da possibilidade de ajustes nas compras de ativos, mas sem especificar prazos. O dirigente defendeu a política monetária do Fed como meio eficiente para estimular a economia. Bullard afirmou que a intenção é manter o programa de aquisição de ativos, ajustando as compras conforme o necessário.

Comentando a reação negativa do mercado ao Fed, o economista sênior do Bank of America Merrill Lynch, Michael Hanson, não vê possibilidade de o programa de estímulos mudar agora. Talvez no final do ano, mas ele acha mais provável no começo de 2014, por conta dos fracos dados da atividade nos EUA e da inflação baixa. Para ele, o mercado deu muita importância à declaração de Ben Bernanke de que o Fed pode reduzir as compras de ativos "nas próximas reuniões", mas a frase mais importante do dirigente não recebeu a atenção merecida, a de que um aperto prematuro na política monetária pode comprometer a recuperação da economia. "A reação do mercado mostra o desafio que o Fed terá em comunicar as mudanças", destaca em um e-mail a clientes.

Além da apresentação do dirigente do Fed, a quinta-feira tem o anúncio de indicadores dos EUA que podem influenciar os investidores. O primeiro deles foi divulgado nesta manhã e mostra que os pedidos de auxílio-desemprego caíram para 340 mil na semana encerrada em 18 de maio. A expectativa dos analistas era de 345 mil pedidos. Já o PMI industrial, calculado pela Markit, caiu para 51,9 na leitura preliminar de maio, ante 52,1 do índice de abril.

O índice de preços de moradias nos EUA, medido pela Agência Federal de Financiamento Imobiliário (FHFA, na sigla em inglês), subiu 1,3% em março, para 199,1 pontos, de acordo com dados sazonalmente ajustados. Economistas consultados pela Dow Jones previam alta mensal de 0,8%.

Pouco depois da abertura do pregão, o Departamento de Comércio divulga, às 11h, as vendas de moradias novas em abril. O setor imobiliário tem se recuperado desde meados de 2012 e contribuído para puxar o crescimento dos EUA. A economista sênior do banco BMO Capital Markets, Jenniifer Lee, destaca que os dados de ontem das vendas de moradias usadas vieram piores que o previsto, com crescimento de 0,6% em abril, mas ainda assim estão no melhor nível desde novembro de 2009.

No noticiário corporativo, duas grandes empresas fazem encontros fechados com investidores e analistas, a Johnson & Johnson e o fundo de private equity KKR, um dos maiores do mundo. Entre as companhias que divulgam resultados financeiros hoje, está a rede de vestuário Gap e grife Ralph Lauren.

Em meio ao aumento da aversão ao risco nesta manhã, o papel da Hewlett-Packard (HP) era destaque de alta no pré-mercado e subia 9,66% por volta das 10h15. Ontem à noite, a empresa de tecnologia divulgou seu balanço que mostrou queda no lucro e nas receitas, mas os números vieram melhores que o esperado.

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