China e juros se destacam em semana de dúvidas

A semana no mercado financeiro começa cercada de dúvidas. A mais importante delas diz respeito à continuidade ou não da turbulência global nas bolsas de valores. Por ora, ninguém se arrisca a fazer um prognóstico sobre a intensidade e a duração do fenômeno, que, a princípio, está sendo considerado uma correção de preços. Em meio a esse ambiente conturbado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se entre amanhã e quarta-feira. A expectativa praticamente unânime é de que a taxa básica de juros (Selic) será cortada em 0,25 ponto porcentual, para 12,75% ao ano. A projeção da pesquisa semanal Focus divulgada esta manhã confirma essa aposta. Para o fim deste ano, a pesquisa prevê que a taxa Selic esteja em 11,5% ao ano. Além do Copom, a agenda de divulgação de indicadores está cheia no Brasil. Amanhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anuncia o resultado da produção industrial de janeiro. O dado é importante para que os analistas tenham uma idéia melhor sobre a temperatura da economia em 2007. Na sexta-feira, o mesmo IBGE divulga o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. O indicador baliza as metas de inflação do País. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, projeta uma alta de 0,40%. "O índice provavelmente ampliará o espaço para que o Copom continue a reduzir a Selic." No exterior, os destaques desta semana não vêm apenas dos Estados Unidos, mas também da China. Começa hoje a 10ª Assembléia do Congresso Nacional Popular do país. Analistas estão ansiosos para saber se o governo chinês adotará ou não medidas para esfriar o crescimento econômico e a valorização do mercado de ações local. Vale lembrar que o nervosismo da semana passada se iniciou com uma queda de quase 9% da Bolsa de Valores de Xangai. Entre os motivos que analistas citaram para justificar a perda estava uma possível norma para aumentar o controle do governo sobre o mercado. Nos Estados Unidos, o principal número da semana será anunciado sexta-feira. Trata-se do "payroll", detalhado relatório sobre o mercado de trabalho do país - taxa de desemprego, vagas abertas e ganho salarial médio por hora. Os dados referem-se ao mês de fevereiro. Nesse cenário, é difícil traçar perspectivas para os principais mercados. A única certeza é que a semana terá novamente muita volatilidade. "Mas essas oscilações devem ser passageiras", acredita Agostini. "Ainda projetamos um Ibovespa na casa de 60 mil pontos no fim do ano porque os fundamentos das economias brasileira e global estão bons." Sexta-feira, o Ibovespa fechou aos 42.369 pontos. Se Agostini estiver certo, a bolsa terá registrado valorização superior a 40% no fim do ano.

Agencia Estado,

05 de março de 2007 | 09h09

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