China faz Europa fechar sem direção única

Números sobre a economia chinesa voltaram a alimentar preocupações de investidores com o país

Sérgio Caldas, da Agência Estado, com informações da Dow Jones Newswires,

18 de fevereiro de 2014 | 14h49

As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta terça-feira, 18, após a divulgação de

indicadores mistos da região e de notícias que voltaram a alimentar preocupações com a China. O mercado britânico voltou a se destacar, com alta de quase 1% após dados favoráveis de inflação do Reino Unido. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia praticamente estável, com ganho marginal de 0,01%, a 334,60 pontos.

Um dado negativo da Alemanha e um indicador positivo do Reino Unido contribuíram para uma sessão volátil na Europa. Na maior economia da zona do euro, o chamado índice ZEW de expectativas econômicas caiu para 55,7 em fevereiro, de 61,7 no mês passado, e ante previsão de recuo menor, a 61,3. A inflação anual britânica, por sua vez, recuou de 2,0% em dezembro para 1,9% em janeiro, ficando abaixo da meta de 2,0% do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) pela primeira vez desde novembro de 2009. A desaceleração dos preços no Reino Unido sugere que o BoE pode manter os estímulos monetários, apesar da recuperação da atividade econômica e do emprego.

Além disso, preocupações com a China voltaram a pesar no sentimento do investidor europeu. O PBoC, o banco central chinês, enxugou hoje 48 bilhões de yuans (US$ 7,9 bilhões) do mercado financeiro local, na primeira operação do tipo desde junho do ano passado. Na avaliação de analistas do Société Générale, o gesto "é um lembrete de que o viés de aperto monetário" continua na China. Além disso, o gigante asiático reduziu sua meta de crescimento para a produção industrial para 9,5% em 2014, de 10,0% no ano passado. Em 2013, a indústria chinesa cresceu 9,7%.

Os negócios na Europa também foram pressionados por indicadores fracos dos EUA. O índice Empire State, que mede as condições para a atividade industrial em Nova York, caiu para 4,48 neste mês, de 12,51 em janeiro. A previsão era de que bem menor, para 8. Já o índice de confiança das construtoras norte-americanas atingiu em fevereiro seu menor nível em nove meses.

Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 0,9%, a 6.796,43 pontos, após o dado britânico de inflação e o balanço da BHP Billiton, que superou as expectativas. A mineradora anglo-australiana fechou com ganho de 1,94%. Destaque maior, porém, foi a empresa de telecomunicações BT, que saltou 3,4% após uma decisão judicial favorável numa disputa com a British Sky Broadcasting.

A Bolsa de Frankfurt chegou ao final do pregão perto da estabilidade, com ligeira alta de 0,03% do índice Dax, a 9.659,78 pontos. O resultado do ZEW e a valorização do euro favoreceram a realização de lucros no caso de algumas ações cíclicas, segundo analistas. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,10%, a 4.330,71 pontos. A Alstom teve a maior queda, de 3,8%, após notícias na imprensa de que o gigante da engenharia seria forçado a aumentar seu capital, o que foi negado pela empresa.

O índice Ibex-35, de Madrid, cedeu 0,75%, a 10.042,70 pontos, influenciado pela construtora Sacyr (-4,9%), que está sujeita a não chegar a um acordo sobre a construção do Canal do Panamá, e pela Iberdrola (-0,3%), que divulga resultados na quarta-feira, 19. Em Milão, o FTSE Mib registrou modesta alta, de 0,09%, a 20,478,53 pontos, com os investidores aguardando as negociações para a formação de um novo governo de coalizão na Itália. No final da semana passada, Enrico Letta renunciou como primeiro-ministro do país. A Telecom Italia subiu 1,22% após ter seu preço-alvo elevado pelo JPMorgan e negar rumores de que pretende vender sua subsidiária no Brasil. Em Lisboa, o índice PSI20 fechou em queda de 0,49%, a 7.227,83 pontos.

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