China não está blindada e vai desacelerar

A analista Rachel Ziemba, da RGE Monitor, espera que a economia chinesa cresça menos que dois dígitos a partir de 2009

Luciana Xavier e Suzi Katzumata,

25 de julho de 2008 | 18h01

A economia chinesa já está em desaceleração e pode crescer menos que dois dígitos a partir do ano que vem, disse a analista para Ásia, Oriente Médio e Canadá da consultoria RGE Monitor em Nova York, Rachel Ziemba, em entrevista às jornalistas Luciana Xavier e Suzi Katzumata. Ela prevê que o PIB chinês ficará em 10% este ano e de 8% a 9% em 2009.Ouça a entrevista  Rachel, no entanto, reconhece que a China se mantém mais forte e menos vulnerável do que a Índia e outros países asiáticos em relação à desaceleração nos Estados Unidos e principais economias do mundo. O que não significa que esteja blindada. "A China tem força e poderia aproveitar o superávit primário para investir mais em educação e infra-estrutura. Ela está em melhor posição, mas também depende do que acontece nos Estados Unidos e Europa. Uma desaceleração maior ou recessão em vários países no mundo trará vulnerabilidade à China", disse. A RGE Monitor estima que há risco de recessão não somente nos Estados Unidos, mas também no Reino Unido, Espanha, Irlanda, Itália, Canadá e Japão. Dilema A inflação é hoje o principal risco na Ásia, de emergentes como o Brasil e dos países desenvolvidos que vivem agora com a sombra da recessão. No entanto, o Brasil tem se posicionado melhor para enfrentar esse problema, avaliou Rachel. "O Brasil tem sido muito ativo no combate à inflação", disse.  Se por um lado, países desenvolvidos como Estados Unidos, Inglaterra e os da Zona do Euro resistem em subir os juros porque suas economias estão muito fracas, no caso asiático a preocupação é de continuar crescendo bastante. "A Ásia tem sido muito tímida no combate à inflação, pois estão muito preocupados com o crescimento. Eles não querem crescer pouco", explicou.  Segundo Rachel Ziemba, os bancos centrais asiáticos estão atrás da curva, mas não o BC brasileiro. "O grande desafio dos bancos centrais hoje é evitar que as expectativas de inflação saiam do controle", ressaltou. A analista disse ainda que vê risco de espiral inflacionária salarial em países como Rússia, mas não no Brasil. Rachel afirmou que no caso da China, tanto um crescimento muito menor da economia como preços muito altos poderiam levar a uma instabilidade política e social. Por isso, o governo faz o que pode para não permitir que a população sinta o peso da inflação.  "Existe um potencial para ruptura política na China e essa é uma das razões de governo observar o crescimento e inflação tão de perto. Aumentar preços de alimentos, combustíveis é politicamente impopular. Ainda que a China tenha aumentado os combustíveis, os preços continuam bem abaixo do que outras economias estão pagando. Outro ponto é que na China os preços de alimentos na China estão em recuando. A China não teve a alta massiva do arroz, pois o choque de alimentos na China veio antes em muitos outros países", comentou.  Para Rachel, as commodities agrícolas podem ter atingido o pico no curto prazo. "Mas no longo prazo teremos que aceitar preços mais altos para alimentos e energia", afirmou.

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