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China provoca perdas de US$ 1,5 bi ao Brasil

A China está levando a melhor na concorrência direta com manufaturados brasileiros em mercados internacionais como o norte-americano. Levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que os produtos chineses ganharam terreno em cima de exportações do Brasil e provocaram perdas de US$ 1,5 bilhão entre 2002 e 2004, principalmente em itens como calçados, mas também em rodas, aparelhos de telefonia e partes de computadores.O dado faz parte de um trabalho elaborado pela economista Lia Valls com o pesquisador Diego Silveira Maciel, tomando como base as exportações de produtos coincidentes, ou seja, mesmos tipos de produtos exportados por Brasil e China para Estados Unidos, além de México, Argentina e Chile. As perdas foram comparadas ao triênio de 1999 a 2001.Para a autora do estudo, as perdas para o mercado norte-americano, as maiores entre os países analisados, não são alarmantes, já que representaram 3,6% das exportações totais do Brasil para os Estados Unidos no período. Mas servem de alerta. "Não é uma perda desprezível. Nos produtos em que a gente concorre, a China tende a ganhar mais parcela de mercado que o Brasil na comparação destes anos."Segundo a economista, o Brasil já vem cedendo espaço à China em produtos com os quais concorre. E é preciso ficar atento com o avanço do setor automobilístico e mesmo siderúrgico da produção chinesa, que poderá competir mais agressivamente em mercados nos quais o próprio Brasil já atua. Para a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o câmbio é um fator preponderante, já que está desfavorável no Brasil e vantajoso na China.O trabalho mostra que as exportações brasileiras tiveram perda de mercado de US$ 4,2 bilhões em vendas aos Estados Unidos, nos mesmos produtos ofertados pela China. O país asiático foi responsável por 35,7% das perdas, o equivalente a US$ 1,5 bilhão, entre 2002 e 2004, parcela maior do que os 30,9% de 1999 a 2001.Nos outros destinos, o peso da China nas perdas de participação das exportações brasileiras ficou em 29,7% no Chile (equivalente a US$ 70 milhões), 14,5% no México (US$ 130 milhões) e 11,8% na Argentina (US$ 50 milhões).Alguns resultados chamam a atenção: nos Estados Unidos a produção chinesa é responsável por mais de 80% da perda de participação de mercado dos calçados brasileiros.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2006 | 08h17

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