China reduz taxas de juros de referência

A China reduziu as taxas de juros de referência pela segunda vez em quatro meses neste sábado, em um novo sinal da preocupação com a desaceleração do crescimento. O Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) anunciou a redução na taxa de juros de concessão de empréstimo de um ano em 0,25 ponto porcentual, para 5,35%, de 5,60% anteriormente. A taxa de depósito de um ano também foi reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 2,50%, de 2,75%.

AE, Estadão Conteúdo

28 Fevereiro 2015 | 08h21

O PBoC afirmou, em comunicado, que a medida foi tomada para diminuir os custos de empréstimos das empresas nacionais. Além disso, a autoridade afirmou que a queda acentuada dos preços globais de commodities contribuíram para a decisão, mas a entidade insistiu que o tom amplo da política monetária do governo não mudou. As novas taxas de juros entram em vigor neste domingo.

A curta explicação do PBoC não cita o risco de deflação sobre o qual analistas vêm alertando recentemente. Em vez disso, o banco disse que o alívio da inflação pode ser visto como uma oportunidade de avançar com a reforma do sistema financeiro.

"A alta de preços no consumidor tem desacelerado nos últimos meses e o declínio dos preços aos produtores tem aumentado, o que está empurrando para cima os níveis reais de taxas de juros. O crescimento atual de preço está em níveis historicamente baixos, o que fornece espaço para o uso adequado da ferramentas de taxa de juros", disse.

"O foco do ajuste da taxa de juros é manter os níveis de taxas de juros reais em linha com as alterações no crescimento econômico, os preços e os fundamentos de emprego. Isso não significa que a política monetária prudente mudou de direção", acrescentou o PBOC.

O PBoC também disse que os bancos poderão oferecer juros em até 30% acima do teto da taxa de depósito, como parte de sua reforma de taxa de juros. Isso significa um aumento do limite máximo ante os 20% anteriores.

Em novembro, o PBOC cortou as taxas de juros pela primeira vez em mais de dois anos, para enfrentar a alta das taxas de juro reais. Essas condições só têm piorado desde então, diante da queda acentuada nos preços globais de petróleo e da desaceleração da economia doméstica. Há também preocupação crescente com os preços ao consumidor e ao produtor.

A mídia estatal tem alertado para a ameaça de deflação na economia chinesa nas últimas semanas, advertindo que o equilíbrio de riscos justifica enfrentar a queda dos preços, em vez de tentar manter os níveis de taxas internas frente à crescente saída líquida de capital do país. O PBoC cortou a proporção exigida de reserva de depósitos bancários em 4 de fevereiro, liberando cerca de 600 bilhões de yuans em depósitos congelados para o sistema bancário, de modo a lutar contra o fluxo de saída de capital.

O corte de juros deste sábado ficou em linha com a maioria das previsões de analistas consultados pela agência de notícias Market News International, de um único corte no primeiro trimestre. Embora as taxas não devam ser baixadas ainda mais nos próximos meses, de acordo com as expectativas, muitos esperam que a proporção do compulsório continue a ser cortado a partir dos atuais 19,5%.

O corte ocorreu poucos dias antes do Congresso Nacional do Povo, que começará na quinta-feira. O encontro anual é quando a China tradicionalmente revela sua meta de crescimento econômico para o ano. A expansão de 7,4% no último ano ficou levemente abaixo da meta de 2014, de cerca de 7,5%. Com informações da Dow Jones e da Market News International

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