China surpreende mercado e dólar sobe a R$ 1,863

 Na semana, moeda norte-americana acumulou baixa de 1,48%

Reuters,

12 de fevereiro de 2010 | 17h23

O dólar fechou em alta frente ao real nesta sexta-feira, 12, depois da reação internacional à decisão da China de aumentar os depósitos compulsórios e tentar frear as pressões inflacionárias no país. A moeda norte-americana subiu 0,70%, para R$ 1,863. Na semana, porém, o dólar acumulou baixa de 1,48%. Em 2010, a moeda registra alta de 6,88%.

O aumento de 0,5 ponto porcentual dos depósitos compulsórios na China, o segundo no ano, roubou a cena que vinha sendo dominada pela Grécia ao longo de toda a semana. A decisão surpreendeu o mercado e levantou a possibilidade de que o governo chinês atuará com mais firmeza para evitar um superaquecimento da economia. Essa hipótese derrubou o preço das commodities e valorizou o dólar em todo o mundo. A falta de medidas concretas da Europa para ajudar a Grécia também repercutia no exterior, mantendo o euro.

Em relação a uma cesta com as principais divisas, o dólar tinha alta de 0,5% no final da tarde. Já o petróleo perdia 2,3% em Nova York, ajudando a empurrar o índice Reuters-Jefferies de commodities para uma queda de 1%.

Internamente, operadores relataram que o mercado tirava o pé do acelerador à medida que se aproximava o Carnaval. O volume registrado na clearing da BM&FBovespa era relativamente baixo perto do fim da sessão, com pouco mais de US$ 1,3 bilhão, a maior parte pela manhã.

As operações foram prejudicadas por quase uma hora durante a manhã por causa de uma paralisação no sistema GTS da BM&FBovespa.

Depois do feriado

Quando o mercado voltar às operações às 13 horas da Quarta-Feira de Cinzas, os agentes afirmam que a atenção deve continuar voltada ao cenário externo. "Naturalmente, os 'ruídos' externos não passarão desapercebidos por aqui e podem determinar movimento de alta", avaliou Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.

Ele ressaltou, porém, que a possível alta deve ser apenas pontual, e não sustentada, "visto que não temos problemas de fluxo cambial". O país registrou entrada líquida de quase US$ 2 bilhões na primeira semana do mês, elevando a quantidade de moeda estrangeira em posse dos bancos.

Além disso, dados da BM&FBovespa mostraram uma segunda redução consecutiva na posição comprada dos investidores estrangeiros nos mercados de dólar futuro e cupom cambial. Eles contabilizavam US$ 5,919 bilhões em compras líquidas na quinta-feira, ante US$ 6,868 bilhões no dia anterior.  

 

(Por Silvio Cascione)

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