Ciclo de aperto monetário no Brasil será curto, diz BES

O economista Jankiel Santos vê sinais de acomodação da atividade e espera que três altas seguidas de 0,25pp da Selic

Luciana Xavier e Célia Froufe, da Agência Estado,

11 de abril de 2008 | 17h57

Se por um lado o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, espera que o ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos termine em abril, no Brasil, a expectativa é de início do aperto monetário com três elevação da Selic de 0,25pp em abril, junho e julho, levando a Selic para 12% ao final deste ano. Segundo Santos, o ciclo de alta dos juros pode ser bem mais curto do que o precificado pelo mercado atualmente. "A atividade já dá sinais de acomodação na margem", explicou.  - Ouça a entrevista Para o economista, dada a ansiedade do mercado em relação aos próximos passos do BC, a votação na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deve mostrar unanimidade e a ata deve vir com tom "levemente mais duro". "É difícil imaginar uma ata de um aperto monetário vindo em tom brando. O BC deve explicar o porquê do caráter preventivo da política monetária", acrescentou em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.  O economista disse ainda que o IPCA deve fechar o ano em 4,6%. "O cenário inflacionário é favorável nos próximos meses. O último resultado do IPCA mostrou comportamento favorável de serviços", observou, referindo-se à taxa de inflação que ficou em 0,48% em abril. Os alimentos, no entanto, devem continuar com preços fortes, não permitindo que a inflação caia como em 2006. EUAO setor não-financeiro dos Estados Unidos continua saudável e deve dar suporte à economia americana, na opinião do economista. Segundo ele, foi justamente o setor não-financeiro da General Eletric (GE) que evitou perdas maiores da companhia no primeiro trimestre. A GE teve queda de 6% no lucro líquido no período em relação ao mesmo período de 2007 e o resultado levou nervosismo aos mercados. "O resultado da GE tem que ser visto com cuidado. Grande parte da perda foi no braço financeiro. E todas as companhias financeiras estão passando por maus bocados. Mas os lucros corporativos da não-financeira compensam as perdas da financeira", avaliou. Para o economista, o Federal Reserve irá reduzir o ritmo de cortes de juros daqui para frente. "O Fed já sinalizou isso ao fazer menção ao quadro de inflação. Não dá para imaginar o Fed continuar a ser agressivo. Ele deve cortar os juros em 0,25pp em abril e esse pode ser o último corte", afirmou. Atualmente os Fed Funds estão em 2,25%.  Segundo ele, o banco central americano deverá fazer uma pausa para ver as conseqüências do ciclo de afrouxamento monetário, iniciado em setembro do ano passado com a taxa em 5,25%, sobre a economia. "Não acho de bom tom o Fed se pautar pelo pavor do mercado", comentou.  Santos não espera uma recessão profunda ou longa nos EUA e já conta com uma recuperação no segundo semestre, com crescimento do PIB de 1,5% no final do ano. "Mas vai demorar para os EUA saírem de taxa baixa de crescimento", ressaltou, dizendo que esse período de baixo crescimento deve durar uns três anos.

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