Cliente só é "private" com R$ 1 milhão para investir

Daqui para a frente, não é mais a relação entre gerente e cliente que define quem é vip ou não. A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) elaborou um código de auto-regulação da atividade e, entre outros assuntos, definiu que só é cliente "private" aquele com mais de R$ 1 milhão para investir. Os bancos terão 180 dias para se adequar a nova definição. A partir daí, alguns clientes private poderão ser rebaixados. Antes do código de auto-regulamentação lançado nesta segunda-feira pela Anbid, a definição da atividade de private banking e de quais instituições poderiam exercê-la eram estabelecidas por cada banco, a partir de critérios próprios. Segundo executivos da entidade, a atividade movimenta hoje no País de R$ 150 bilhões a R$ 170 bilhões. "Os fundos de investimentos e as carteiras administradas representam cerca de 60% do segmento", afirmou o vice-presidente da Anbid, Celso Scaramuzza.A partir de agora, a Anbid tentará mapear a atividade de private banking no mercado doméstico e criar um ranking de instituições financeiras, embora encontre dificuldade para compilar os dados, segundo Scaramuzza. A Anbid só divulgará o ranking, de acordo com ele, se conseguir dados suficientes para que seja compatível com a realidade.O executivo disse que o objetivo da Anbid é que o ranking englobe apenas as operações realizadas no País, que são as que podem ser supervisionadas. Como alguns bancos têm grande posição no exterior, não querem divulgar informações sobre o mercado interno porque ficariam mal posicionados no ranking, apesar de terem grande volume de operações globais. "Certos bancos gostam de reter informações, o que dificulta a formulação do ranking", afirmou Rogério Pessoa de Albuquerque, executivo do Pactual que assumirá hoje a vice-presidência da Comissão de Acompanhamento de Private Banking da Anbid. Scaramuzza assumirá a presidência do Conselho de Auto-regulação de Private Banking da entidade. Scaramuzza disse que o código de auto-regulação do mercado, que está sendo lançado hoje, visa a acompanhar o crescimento do segmento, que cresce mundialmente de 7% a 10% ao ano. "A América Latina cresce 15% ao ano e o Brasil está alinhado com esse desempenho", disse. Para Albuquerque, o avanço da atividade no País poderá ser até maior nos próximos anos em decorrência da consolidação da economia e do mercado de capitais.TransparênciaAlém dessa linha de corte, Scaramuzza diz que o código estabelece condições de independência para o exercício da operação no País. A partir da regulação, as instituições financeiras deverão apresentar áreas independentes de avaliação macroeconômica e análise de investimento e produto para atender ao private banking. Essas áreas não poderão se relacionar às demais operações dos bancos.Segundo ele, os executivos das instituições deverão ter um diretor específico para a atividade de private e que responderá pelo segmento à Anbid. O terceiro pilar do código de auto-regulação é o Selo Anbid, que será concedido aos bancos que aderirem ao código e cumprirem as exigências.Todos os associados da Anbid que prestam serviço de private banking serão automaticamente obrigados a aderir ao código, sendo que o cumprimento das regras será supervisionado pela área técnica da associação. "As instituições não associadas poderão aderir, mas não serão obrigadas", disse o executivo.Terra de ninguémO código foi desenvolvido pela Comissão de Private Banking da Anbid, criada em setembro de 2004. Os trabalhos tiveram início em fevereiro do ano passado, sob a coordenação da Subcomissão de Auto-regulação e Melhores Práticas. Em agosto de 2005, a subcomissão apresentou a primeira versão do documento, que depois foi aperfeiçoado pela Comissão de Private e pela diretoria da Anbid.Em janeiro deste ano, o código foi colocado em audiência pública para receber sugestões das instituições financeiras. Todas as propostas foram analisadas pela Comissão e muitas foram incluídas no texto final, de acordo com Scaramuzza. O lançamento oficial do código será realizado em cerimônia hoje, às 18h30, no hotel Renaissance, em São Paulo.O vice-presidente da Anbid disse que o código é a primeira regulação da atividade, que até o momento não foi objeto de nenhum normativo do Banco Central nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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