Clientes da Varig enfrentam o caos

Domingo foi mais um dia dramático para passageiros da Varig. A exemplo do que vem se repetindo nos últimos dias, a espera para viajar foi longa e cansativa nos aeroportos. A professora de balé Maria Cristina Martins saiu da Alemanha na sexta-feira e ontem à tarde ainda esperava em Congonhas assento para chegar a Brasília, seu destino final. Pela previsão normal da viagem, ela deveria ter chegado às 10 horas do sábado.Muitos dos vôos que a Varig suspendeu na sexta-feira, e que deveriam ter sido retomados por ordem da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), não partiram ontem. "Ouvi dizer que a empresa teria de voar para Porto Alegre, mas não era nada disso. Vou ter de comprar uma passagem pela BRA, pois não consegui lugar na TAM e na Gol, que são endossados pela Varig", disse um frustrado passageiro em Guarulhos.A confusão era tão grande que os balcões ainda traziam o comunicado feito pela VarigLog na quinta-feira, logo depois do leilão em que comprou a Varig. O comunicado anuncia a suspensão de todos os vôos nacionais e internacionais (com exceção da ponte aérea Rio-São Paulo) até o dia 28.Ontem, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, disse que a retomada das rotas dependerá do desfecho de negociações em curso com empresas que arrendam aviões. A Varig alega que as companhias estão retomando as aeronaves e, por isso, não é possível manter os vôos. Segundo Bottini, a Varig atenderá "dentro do possível" a determinação da Anac de retomada imediata das 13 rotas que operava antes do leilão."Estamos negociando com a Anac, mostrando que não depende de nós", disse Bottini. Segundo ele, desde sábado a empresa retomou alguns vôos domésticos e internacionais. "Vamos tentar aumentar isso."A Varig e a Anac não informam quantos aviões estão em operação. A Varig tem 60 aeronaves, incluindo as que estão paradas por falta de manutenção ou por determinação judicial.Segundo a Varig, está mantido o procedimento em relação a passageiros que têm bilhetes para localidades que não estão sendo atendidas: embarcá-los em vôos de outra companhia.O problema é que as outras companhias nem sempre disponibilizam vagas. Maria Cristina, que mora na Alemanha e veio visitar os pais, aguardava assento para Brasília na TAM desde às 5h30. Até as 17 horas não tinha conseguido. O mesmo drama viviam a psicóloga Claudia Cantelmo e a professora Leonídia Loriato, que tentavam voltar para Brasília, onde moram.Um grupo de nove evangélicos que estava no Rio para um evento também aguardava desde às 10 horas vagas para Porto Alegre. O vôo que partiria do Rio foi cancelado. O grupo veio tentar a sorte por Congonhas, mas no final da tarde ainda estava em lista de espera. Em Guarulhos, Guilhermo Creues e a esposa chegaram às 10h do Canadá e conseguiram assentos em um vôo da Gol para Porto Alegre às 21h35. Da Varig, não obtiveram sequer vales para um lanche.A assessoria da Anac informou ontem que a retomada de vôos não ocorre de forma imediata e que espera que a Varig retome hoje os vôos que foram suspensos. A declaração contraria o anúncio da própria Anac na sexta-feira, quando informou que a Varig não poderia suspender os vôos.Esta semana, a VarigLog deve divulgar a lista de demitidos, que pode chegar a 8 mil pessoas. Também deve anunciar sua nova diretoria.

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