Clima de cautela prevalece e Bovespa tem terceira queda

Agendas interna e externa recheadas de eventos importantes reforçam movimento de cautela adotado por investidores

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado,

27 de agosto de 2012 | 17h33

A Bovespa deu continuidade ao movimento iniciado na semana passada e registrou o terceiro dia seguido de queda, na contramão das bolsas internacionais. A agenda externa e interna recheada de eventos nesta segunda-feira contribuiu para o movimento de cautela adotado pelos investidores. Além disso, a queda de quase 2% das ações da Vale contribuiu para manter a Bolsa no campo negativo.

O Ibovespa encerrou com recuo de 0,54%, aos 58.111,46 pontos. Com isso, a alta acumulada no mês caiu para 3,59% e, no ano, para 2,39%. Na mínima, o índice atingiu 57.853 pontos (-0,98%) e, na máxima, 58.462 pontos (+0,06%). O giro financeiro limitou-se a R$ 4,540 bilhões - menor valor desde 18 de julho (R$ 4,889 bilhões).

"O mercado está em compasso de espera, em busca de sinais claros do BCE e do Fed", disse um experiente profissional, ressaltando ainda que o investidor também vai ficar muito atento ao documento divulgado após o término da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, onde será divulgado a nova taxa Selic, atualmente em 8,00% ao ano. "O mercado quer saber se vai ter algum indício no comunicado sobre a possível continuidade da queda da taxa básica", disse.

As ações da Vale reagem à desaceleração da economia chinesa, a queda do preço do minério de ferro no mercado internacional e também às expectativas sobre a negociação da mineradora com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para a cobrança da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), os royalties da mineração. O papel ON caiu 1,53% e o PNA, -1,56%

As siderúrgicas tiveram recuo generalizado. Usiminas PNA caiu 2,38%, enquanto a ON, -2,52%. Gerdau ON (-1,76%) Gerdau Metalúrgica ON (-1,90%), e Siderúrgica Nacional ON (-2,75%). Na sexta-feira, a agência de classificação de risco S&P rebaixou o rating corporativo da Usiminas e a perspectiva foi mantida estável. Nesta segunda-feira, em relatório, o Barclays lembrou que as siderúrgicas brasileiras estão muito expostas às fraquezas e aos riscos do cenário externo.

Já bancos terminaram sem direção única. Bradesco e Itaú Unibanco recuaram 0,70% e 1,50%, respectivamente. Enquanto Banco do Brasil e units do Santander subiram 2,26% e 0,56%. No fim de semana, o jornal O Estado de S.Paulo trouxe matéria informando que após um ano da venda do banco Schahin para o BMG, começa a vir à tona mais um escândalo no sistema financeiro. O Schahin tinha um rombo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, resultado de fraudes e outras irregularidades semelhantes às do Panamericano e do Cruzeiro do Sul.

Petrobras nesta segunda-feira foi na contramão do exterior e reagiu a notícia divulgada na sexta-feira, após o fechamento do mercado, de que a empresa comprovou a ocorrência de petróleo e gás de boa qualidade no bloco BM-SEAL-10, em águas ultraprofundas da Bacia de Sergipe-Alagoas. O papel ON subiu 0,87% e o PN, +0,66%. Já na Nymex, o contrato da commodity com vencimento em outubro registrou recuo de 0,71%, a US$ 95,47 o barril.

Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,25%, o S&P 500 cedeu 0,05% e o Nasdaq conseguiu se manter em leve alta, +0,11%.

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