Clube de investimento poderá ter derivativos de câmbio e juros, diz CVM

Autorização depende de nova regulamentação para clubes que foi colocada em audiência pública hoje pela autarquia

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 18h19

Os clubes de investimento poderão investir também em derivativos de taxas de juros e da câmbio, o que hoje é proibido, se for aprovada a nova regulamentação para clubes de investimento colocada em audiência pública hoje, explicou à Agência Estado o diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Otávio Yazbek. Até agora, eles só podem investir em derivativos de índices ou ações.

 

"A lógica é que se possa fazer derivativos de câmbio e juros para hedge (proteção)", disse o diretor. Caso o clube de investimento invista em ações de empresas muito expostas a câmbio, como exportadoras ou com dívidas em moeda estrangeira, ou endividadas, os derivativos podem ser úteis para reduzir o risco.

 

Diante da permissão para que os clubes de investimento possam investir nesse tipo de derivativos, a CVM também propõe exigências para isso, como a obrigatoriedade de limites à exposição e alavancagem dos clubes e mecanismos de controle de riscos. "Essas limitações travam o uso irresponsável de derivativos", afirmou Yazbek.

 

Os limites à exposição e alavancagem serão dados pela entidade administradora de mercado organizado na qual o clube estiver registrado, que, na prática, segundo Yazbek, é a BM&FBovespa. De acordo com o diretor, no fim de 2009 havia 2.955 clubes de investimento no Brasil com mais de 140 mil investidores. "Considerando que a Bolsa tem 500 mil investidores, o número em clubes de investimento é significativo", comentou Yazbek.

 

Menos de 10% dos clubes de investimento ficarão desenquadrados com a nova regulamentação no que se refere ao número máximo de 50 participantes da proposta. No entanto, eles não deixarão de ser clubes de investimento, apenas não poderão receber novos integrantes.

 

Pela minuta que fica em audiência pública até 23 de abril, segundo o diretor, não será necessário que nenhum clube se transforme em fundo. Embora na divulgação da proposta a CVM tenha informado que buscava combater a "arbitragem regulatória" que consistiria em optar por clubes de investimento como forma de fugir das regras mais rígidas dos fundos, Yazbek contou que não foi identificado nenhum caso concreto desse tipo. "A arbitragem regulatória é um risco. Se fala disso no mercado, mas não temos um caso que possamos apontar para um clube e dizer que é por arbitragem regulatória", afirmou.

 

No entanto, ele observou que as novas regras sugeridas na minuta para a nova instrução são mais rígidas e buscam dar mais transparência e segurança ao investidor. Como exemplo, citou que passa a ser obrigatória a assembleia anual e acaba a figura do representante de cotista. "Queremos que os cotistas liguem direto para o administrador". Continua a não ser necessário fazer auditoria nos clubes, mas os que optarem por não ter auditores terão que explicitar isso. "Os clubes se destinam às pessoas físicas e precisam ser transparentes", afirmou o diretor.

 

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