Coca-Cola tem participação recorde no mercado brasileiro

Os refrigerantes fabricados pela Coca-Cola alcançaram uma participação de 56% no mercado brasileiro de refrigerantes em setembro, recorde da multinacional americana no País nos últimos 12 anos. Depois de dominar cerca de 60% do segmento no início da década passada, a fatia da empresa encolheu progressivamente até perto de 45% no fim do período, mas iniciou uma recuperação nos últimos anos. Apenas entre 2004 e 2006, o ganho de mercado foi de 3,6 pontos porcentuais. Para se ter uma dimensão do avanço, cada ponto equivale a algo como 124 milhões de litros de refrigerantes. A partir de amanhã, a empresa reforça a presença no País, com o lançamento da campanha mundial de marketing "Viva o Lado Coca-Cola da Vida", com filmes para TV e ênfase na Internet. Os resultados agora são positivos. No primeiro trimestre o crescimento de vendas foi de 9% e, no segundo trimestre, 7%. O mercado total cresceu apenas 1% até agosto, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes (Abir). "Naturalmente, queremos ampliar os volumes da companhia (com a campanha)", comentou o diretor de comunicação no Brasil, Marco Simões. O valor da campanha não foi divulgado. A empresa informou que a verba compõe os R$ 750 milhões que investe este ano no País. No ano passado, o Sistema Coca-Cola, formado pelos engarrafadores da marca, faturaram R$ 8,7 bilhões no País, 17% acima do ano anterior, com vendas ao redor de 6,7 bilhões de litros, 10% superiores às de 2004. Na prática, a empresa sofreu na década passada com o forte avanço dos fabricantes das chamadas tubaínas, refrigerantes de menor preço e acusados de praticar concorrência desleal. O crescimento do poder de fogo das tubaínas, sem uma estratégia de combate adequada por parte da multinacional resultou em sucessivas perdas de mercado no período.Na virada da década, a empresa partiu para uma forte pesquisa junto aos consumidores, para entender o que estava acontecendo e buscar novos modelos de reação. Desde então, basicamente, a empresa partiu para uma agressiva estratégia de diversificação de embalagens, distribuição de produtos e foco na camada mais baixa de renda da população, com produtos mais em conta. Atualmente, a companhia já vende Coca-Cola por R$ 0,50. Trata-se de uma garrafa de vidro retornável (não descartável), com capacidade de 200 mililitros do produto. Simões explica que o item é voltado para as classes C, D e E. O presidente da Rio de Janeiro Refrescos, Carlos Lohman, conta que o esforço de distribuição, com vendas até em bancas de jornais, e maior atenção para o público de baixa renda incrementaram as vendas. O mercado do Brasil permanece sendo o terceiro maior para a companhia americana no mundo, atrás apenas do americano e mexicano. Apesar do forte avanço da China, o mercado do país asiático ainda não ultrapassou o brasileiro. Ainda assim, o consumo per capita local é baixo. No Brasil, o consumo dos produtos da empresa é da ordem de 160 copos ao ano, enquanto no México a taxa é 3,5 vezes maior e na Argentina, por exemplo, é o dobro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.