Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar sobe e fecha em R$ 4,14, segundo maior valor desde o Plano Real

Após dois pregões de baixa, dólar sobe 1,38%¨; Bolsa fecha o dia em queda de 0,59%, aos 77.473,18 pontos

Reuters

28 Agosto 2018 | 11h08
Atualizado 28 Agosto 2018 | 19h04

Após dois pregões em baixa, o dólar voltou a fechar com forte elevação, superior a 1% e perto dos R$ 4,14, no segundo maior valor do Plano Real, com a cautela diante das incertezas com o cenário eleitoral doméstico se sobrepondo ao ambiente externo mais tranquilo. A moeda americana fechou o dia em alta de 1,38%, cotada a R$ 4,1376.

As preocupações eleitorais também influenciaram o mercado de ações local nesta terça-feira. A Bolsa  fechou em queda, com bancos e Petrobrás entre as maiores pressões de baixa, descolando do viés relativamente positivo no exterior. O Ibovespa, principal índice de ações da B3, recuou 0,59%, a 77.473,18 pontos.

O valor de fechamento do dólar foi o segundo maior desde a criação do Plano Real, em 1994. Em 21 de janeiro de 2016, a moeda fechou o dia cotada a R$ 4,1705, maior cotação desde o Plano Real. Na época, o mercado refletiu ruídos de comunicação na política monetária do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 14,25%, quando agentes do mercado esperavam uma elevação da taxa.

Na máxima do pregão desta terça-feira, 28, registrada pela tarde, a moeda americana chegou a atingir R$ 4,1475, subindo 1,62% em relação ao fechamento de segunda-feira.

“Há muita coisa pela frente”, justificou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, referindo-se às eleições.

A moeda até chegou a cair ante o real no início dos negócios, indo à mínima de R$ 4,0649, em sintonia com o mercado externo. Mas o movimento não se sustentou diante da apreensão eleitoral.

Na véspera, o Supremo Tribunal Federal (STF) informou que analisará em julgamento virtual em setembro um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra uma decisão do plenário da corte que negou habeas corpus ao petista no início de abril.

Teve início nesta terça-feira, 28, o julgamento, pela primeira turma do STF, de denúncia que pode tornar o candidato Jair Bolsonaro (PSL) réu por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas e refugiados. Ainda não havia terminado até o mercado cambial fechar.

Embora não haja qualquer tipo de impedimento à candidatura de Bolsonaro à Presidência caso se torne réu, a situação amplia a cautela dos investidores devido a um cenário de insegurança jurídica.

Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto no cenário em que Lula não está na disputa, também seguirá no foco uma vez que dará entrevista ao Jornal Nacional, um dia depois de Ciro Gomes (PDT) ter inaugurado o ciclo de conversas.

Cenário externo

No exterior, o dólar caía ante a cesta de moedas e se mantinha próximo da mínima de um mês após o pacto entre EUA e México para reformular o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). A moeda norte-americana também perdia valor ante a maioria das divisas de países emergentes, como o peso chileno.

O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de setembro, no total de US$ 5,255 bilhões.

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