Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Petróleo cai e Bolsa recua mais de 2%

Com agenda política no radar, mercado brasileiro acompanhou movimento no exterior; dólar fechou cotado a R$ 3,20

Ana Luísa Westphalen, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 12h42

A Bovespa abriu a semana em queda de 2,23%, aos 57.781,24 pontos, não muito distante da mínima da sessão, quando recuou 2,48%, aos 57.631 pontos. O volume financeiro somou R$ 5,84 bilhões. No mês de agosto, a Bolsa acumula ganho de 0,83%, e, no ano, de 33,29%. O pregão foi embalado por um movimento de realização de lucros que conduziu os negócios desde a abertura.

O ajuste tem como gatilho a desvalorização de mais de 3% dos preços do petróleo em Londres e em Nova York, em meio a especulações em torno dos níveis de produção da commodity. Até a semana passada, a expectativa de um acordo de congelamento da produção nos países produtores fez os contratos futuros engrenarem um rali de seis altas consecutivas. 

No câmbio, o dólar acompanhou a tendência internacional de alta em relaçao ao rela, mas inverteu o sinal nos momentos finais da sessão e fechou em baixa de 0,10%, negociado a R$ 3,2013. O período de maior volatilidade se deu à tarde, quando o dólar atingiu a máxima de R$ 3,2271 (+0,70%), às 14h25, e a mínima de R$ 3,1975 (-0,22%), às 17h03. 

No radar dos investidores está o julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, que começa na quinta-feira, 25,  e o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen na sexta-feira, 26, que pode clarear o cenário dos juros nos EUA após dirigentes do banco central americano indicarem ser favoráveis à alta da taxa de juros no país.

Ao mesmo tempo em que se aproxima o início da etapa final do processo de impeachment, também se intensifica a busca do governo por apoio às medidas de ajuste fiscal.  O presidente em exercício, Michel Temer, deverá negociar pessoalmente com líderes de partidos na Câmara a pauta econômica que deve ser votada nesta semana. Além dos destaques ao projeto da renegociação da dívida dos Estados, a Câmara precisa votar medidas provisórias que vencem nesta semana. O Congresso, por sua vez, precisa votar nesta semana a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), uma vez que ela deve ser aprovada até o final de agosto.  

O Banco Central promoveu pela manhã o segundo leilão de contratos de swap cambial reverso nas quantidades "habituais". Vendeu todos os 10 mil contratos, correspondentes a US$ 500 milhões, em operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro. O leilão, assim como a influência do cenário externo, tiveram efeito pontual sobre as cotações, que perderam fôlego à tarde e voltaram para patamares próximos aos do fechamento de sexta-feira.

Mercado de ações. A inversão na tendência dos preços do petróleo penalizou principalmente as ações da Petrobrás, mas as perdas do Ibovespa foram generalizadas. Dos 59 papéis que compõem a carteira teórica do índice à vista, apenas dois fecharam no azul.  

Entre os papéis mais negociados, as ações da petroleira terminaram em queda de 3,92% (ON, ações com direito a voto em assembleia) e 3,44% (PN, papéis com preferência no recebimento de dividendos), influenciadas pelo ajuste dos contratos futuros de petróleo. Até a semana passada, a expectativa de um acordo de congelamento da produção nos países produtores fez os contratos futuros subirem por seis sessões seguidas, mas hoje há dúvidas em relação a esse entendimento impuseram uma correção desse rali.  

Os papéis da Vale, por sua vez, reproduziram o desempenho mais fraco de suas pares globais e recuaram 3,67% (ON) e 3,71% (PNA). No setor financeiro, Itaú Unibanco PN, ação de maior peso no Ibovespa, terminou em queda de 1,93%, seguido por Bradesco PN (-2,69%), Banco do Brasil ON (-3,84%) e units do Santander (-2,06%).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.