Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar segue em alta e já alcança R$ 3,480 nesta terça-feira

Salto da moeda americana é de 0,89%, o maior valor desde os R$ 3,4912 registrados durante a sessão de 2 de dezembro de 2016

Silvana Rocha, Ana Luísa Westphalen e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 10h50

O dólar continua seu rali de valorização iniciado na semana passada e, nesta terça-feira, 24, alcançou o patamar de R$ 3,480, com forte volume de negócios, mas sem intervenção do Banco Central. 

O salto para a moeda americana no mercado à vista representa uma alta de 0,89%, o maior valor desde os R$ 3,4912 registrados durante a sessão de 2 de dezembro de 2016. 

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Já a Bolsa de São Paulo passou toda a manhã sendo conduzida pelos mercados internacionais, bem-humorados com a recuperação dos ativos em Wall Street. Entretanto, o índice Bovespa apresentou ritmo de queda nos últimos minutos, acompanhando a piora das bolsas de Nova York. "Estamos basicamente acompanhando Nova York hoje, que renovam mínimas devido à questão do Irã e também novas preocupações com setor de tecnologia", disse Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, fez um alerta nesta terça-feira, 24, para que os Estados Unidos permaneçam no acordo nuclear ou irão "enfrentar consequências severas". Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã não pode ter permissão para desenvolver armas nucleares nem possuir a capacidade de promover organizações terroristas em outras nações. Às 15h15, o Índice Bovespa tinha 85.336,33 pontos, com baixa de 0,33%.

Câmbio. A diferença de humor no câmbio é motivada graças às incertezas com as eleições de outubro no Brasil e a perspectiva de aumento dos juros nos Estados Unidos. Segundo especialistas, essa volatilidade deve se acentuar nos próximos meses com o desenrolar da corrida eleitoral mais incerta dos últimos anos no Brasil. 

Na segunda-feira, 23, o cenário externo fez a moeda americana se valorizar em relação às moedas de países emergentes. Ante o real, o dólar à vista subiu 1,19%, fechando a R$ 3,4497. Foi a maior cotação da moeda desde dezembro de 2016.

Especulação. Para o  operador da corretora Multimoney Durval Correa, além das condições macroeconômica no Brasil e nos EUA, também há especuladores no mercado local testando o Banco Central.

"O BC olha o dólar subir e não toma atitude para conter a alta", observa Correa. "Pode chegar a R$ 3,50 rapidamente", avisa.

Segundo ele, o mercado espera uma sinalização do BC sobre o nível de preço que levará a autoridade monetária a vender moedas, via leilão de linha. A venda de dólar é uma ferramenta do BC para conter o avanço da cotação.  

Além das operações de hedge, outros fatores que segundo a LCA pressionam o dólar é o vencimento dos contratos futuros no dia 02 de maio e do resgate de US$ 2 bilhões em linha de dólar do BC no próximo dia 3 de maio, na quinta-feira da próxima semana.

Durante a manhã, o economista da MCM Consultores, Antonio Madeira, disse que o mercado opera sob duas forças. Lá fora, pesam as notícias sobre juro dos Treasuries, os títulos de divida soberana dos EUA (a versão americana para o Tesouro Direto Brasileiro) que abalam os ativos mundiais. 

"A alta do rendimento da T-Note 10 anos para 3% eleva as preocupações com a inflação e a política de juros do Fed (o banco central dos EUA), mas os leilões de títulos nos EUA de mais de US$ 100 bilhões hoje também mexem com a rentabilidade", avaliou. 

Internamente, Madeira ressaltou que persiste um contexto de grande incerteza eleitoral e o fechamento de mês sempre traz pressão da rolagem de contratos futuros. 

"O dólar vem em uma escalada, deu salto de R$ 3,40 para R$ 3,450 e agora para R$ 3,480; quem tem passivo em moeda estrangeira começa a demandar mais hedge. Diante disso, o mercado percebe um quadro externo favorável ao dólar e aqui tem muita incerteza e busca proteção", acrescentou.

Ibope. Os mercados domésticos aguardam a pesquisa do Ibope de intenção de voto a ser divulgada após o fechamento do mercado nesta terça-feira. Feito em São Paulo, o levantamento será importante para aferir o desempenho do ex-governador Geraldo Alckmin, que governou o Estado por quatro mandatos, e vem tendo desempenho ruim nas últimas sondagens eleitorais. 

Outro fato visto com atenção pelo mercado com o pronunciamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes que admitiu na manhã desta terça a possibilidade de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há 17 dias em Curitiba. 

Em evento em São Paulo, Mendes chegou a admitir a possibilidade da decisão do plenário virtual da segunda instância do STF resultar na liberdade de Lula, mas disse que essa decisão já estaria "prejudicada", porque o Tribunal (TRF4) negou o recurso. 

Segundo ele, a pena do ex-presidente poderá ser reduzida, porque é preciso discutir se houve dois crimes, conforme a condenação em segunda instância (lavagem de dinheiro e corrupção passiva). 

"É preciso discutir se os dois crimes a que ele foi condenado são realmente dois crimes", afirmou. Se, eventualmente, o entendimento for de que houve apenas um crime, a pena do ex-presidente poderá ser reduzida. 

Mendes também não descartou a hipótese do presidente Lula ter sua candidatura à Presidência da República registrada.

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